O Yemen executa menores.

Quando a “Primavera Árabe” chegou ao Yemen, ele era governado pelo ditador Saleh, há 13 anos.

Inspirado pelas revoluções do Egito e da Tunísia, o povo yemenita também se levantou contra o governo. No começo, as manifestações de protestos focavam o desemprego, os baixos salários e a corrupção.

A repressão foi se intensificando até culminar com o exército atirando contra o povo e, por fim, matando50 oposicionistas.

Com isso, o governo de Saleh foi condenado pela ONU.

O presidente Obama interveio habilmente e convenceu Saleh a entregar a rapadura, em favor de um sucessor escolhido numa eleição popular.

Seria o início da democracia no Yemen, pois o povo poderia votar no seu preferido desde que fosse Hadi, convenientemente, o único candidato.

Ex- vice de Saleh e tradicional amigo dos EUA, Hadi comprometeu-se a não processar o ditador deposto e não afastar  parentes e amigos dele, repoltreados em altos cargos no exército e na administração.

Mais do que isso: ele prometeu governar democraticamente e marcar eleições livres em 2014, desta vez com partidos das várias forças políticas do país.

A primeira promessa, a rigor, não está sendo cumprida.

Apesar de signatário da Convenção dos Direitos da Criança e do Convênio Internacional dos Direitos Civis e Políticos, que proíbem condenação à morte de menores de 18 anos, o “novo Yemen” tem repetido o anterior, violando esses compromissos.

No que também ignora que, em 1994, o código penal do Yemen proibiu a aplicação da pena de morte a menores de idade.

No entanto as leis internacionais e locais ainda não convenceram o governo do Yemen a liberar crianças e adolescentes da pena máxima.

Nos últimos 5 anos, 15 jovens infratores, com menos de 18 anos, foram executados, a maioria no governo de Saleh.

3 menores se acham atualmente condenados à morte e 186 estão sendo processados, podendo sofrer pena igual.

Em um relatório de 30 páginas, a organização Human Rights Watch, baseada em New York, cita o caso de AL-Hindi Barti, executada por um pelotão de fuzilamento, em março de 2012 (no governo “democrático”, portanto) sob acusação de assassinato.

Não adiantou nada ela mostrar certificado de nascimento que provava ter apenas 15 anos no dia do suposto crime.

A propóstio: Bardi disse aos entrevistadores do Human Rights Watch que confessara o crime porque os policais a espancaram e ameaçaram de estupro.

Membros do HRK informaram que vários jovens suspeitos de crimes sofreram ameaças, abusos físicos e torturas na prisão, o que os forçou a fazerem confissões falsas.

O Human Rights Watch apelou para que o Yemen cancelasse as execuções dos 3 menores já condenados e livrasse os 186 ora processados da possibilidade de receberem a pena capital.

Comentando o episódio, declarou Pryianka Motaparthy, do HRW: “Enviar infratores infantis a pelotões de fuzilamento não é o caminho para o Yemen mostrar que respeita os direitos humanos.”

 

 

 

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