O povo de Israel fala

Se ouvisse seu povo, o governo de Israel seria diferente.
Teria uma posição muito mais justa e conciliadora com relação aos palestinos e ao Irã.
Nada a ver, portanto, com o estilo inflexível de Netanyahu e seu ministério de extrema direita.

De um modo geral, é o que revela pesquisa da respeitada Brooking Institution, cujas principais conclusões foram publicadas no site desta entidade, em 1º de dezembro deste ano.
Diante da Primavera Árabe, 46% dos entrevistados, tem uma visão favorável. Consideram que são movimentos promovidos por pessoas comuns em busca de dignidade, liberdade e uma vida melhor. Já para 34%, trata-se simplesmente de um movimento de oposição aos governos.
Quais serão as conseqüências das revoluções árabes para Israel?  A posição negativa vence por 51% X 44%. Esse resultado não significa uma rejeição da Primavera Árabe, mas sim uma avaliação realista, face ao modo com que o governo israelense tem se comportado.
O ataque às instalações nucleares do Irã divide as opiniões. 43% são a favor, 41%, contra. Dentro da margem de erro, portanto.
Graças à eficiente propaganda do governo, 90% da população acha que o Irã desenvolve um programa nuclear militar. Para escolher se preferem Irã e Israel possuindo bombas atômicas ou os dois sem elas, a segunda idéia vence por 65% x 19%.
E agora, um dado da pesquisa que certamente deixaria Nertanyahu, Avigdor Lieberman e Ehud Barak muito chateados. 2/3 dos respondentes são a favor de um Oriente Médio livre de armas nucleares. Incluindo Irã e Israel. Para isso, querem um sistema de inspeção completo de todas as instalações onde os componentes nucleares são fabricados ou estocados.
Portanto, o Irã teria de se abrir totalmente para as inspeções da IAEA. E Israel admitir o que todos sabem: que tem armas atômicas. E mais: permitir sua destruição, dentro do objetivo de desnuclearização do Oriente Médio.
É uma nítida contestação da tese da necessária superioridade militar de Israel para garantir a segurança do país.
Outro resultado surpreendente foi a limitação da importância atribuída ao fator “sionismo”.
Apenas 1/4 consideram o caráter judaico de Israel mais importante do que sua democracia. Igualmente 1/4 acham o contrário. Para 50%, democracia e judaísmo tem a mesma importância.
De forma coerente com essas conclusões, 71% defendem uma mudança na definição de Israel para agregar os cidadãos não-judeus. Israel seria “a terra dos judeus e de todos os seus cidadãos”.
Mais resultados surpreendentes apareceram na parte da pesquisa dedicada ao relacionamento com os árabes palestinos.
Enquanto o governo insiste em que os palestinos reconheçam Israel como um estado judeu ,como pré-condição às negociações, apenas 39% dos entrevistados são a favor. 40% acham desnecessário, aceitam que esse reconhecimento seja parte do acordo final.
Como disse no início deste texto, a maioria dos respondentes apóia a fundação de um estado palestino, baseado nos limites de 1967. Foram exatamente 43%, enquanto 31% são contra e 24%% não tem opinião.
Já 2/3 sustentam que Israel deveria fazer mais para promover uma paz justa na Palestina, tomando por base os limites de 1967, com mudanças de comum acordo com os árabes. O apoio à independência da Palestina é maior nesta questão do que na outra (2/3 x 40%) por se falar aqui em “limites de 1967, com mudanças de comum acordo”.
Os cidadãos árabes de Israel tem os mesmo direitos que os judeus?
A opinião dominante quanto a esta questão extremamente delicada vai contrariar o que alardeia a propaganda israelense.
Enquanto 33% garantem que todos são iguais, em Israel, 52% – a maioria – afirmam que, por lei, isso é verdade, mas existe discriminação institucional e social em relação aos árabes.
Os resultados desta pesquisa da Brooking Institution são animadores.
Demonstram que a opinião pública israelense não aprova a política do governo de sabotar a construção de um estado palestino independente, através da expansão dos assentamentos. que impede negociações de paz.
Posições mais abertas em temas como “cidadania e sionismo”, “armamentos nucleares” e “discriminação dos árabes” atestam que o povo judeu de Israel não está sendo tão influenciado pela postura agressiva do seu governo.

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