O medo torna os americanos desumanos.

Os atentados de Paris e Bruxelas e um boato que corre os EUA de que o ISIS atacaria o país em 6 meses (para 2/3 do povo seria inevitável) enche de pavor a maioria dos americanos.

Só assim poderia se explicar a mudança de um povo cristão em adeptos de medidas cruéis e desumanas, que julgam ajudariam a proteger sua segurança.

A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada entre 22 e 28 de março, mostrou um inesperado apoio a torturas de suspeitos para se obter informações sobre terrorismo.

51% dos respondentes, considerou a tortura justificada nesses casos, sendo que 38% a aceitavam em situações especiais e 25%, sempre.

Apenas 15% dos americanos declararam-se contrários à tortura, conforme os princípios de sua Constituição, outrora sempre respeitados, e do Direito Internacional, aceitos universalmente.

Como era esperado, os republicanos em massa- 82%- querem torturar suspeitos de terrorismo a torto e a direito. Mesmo os democratas em sua maioria- 53% – concordam com eles.

Não ligam nem para o fato das torturas serem vistas como ineficazes pela maioria das autoridades no assunto.

O medo americano, alimentado pela imprensa e pelos políticos do war party, tem uma influência dominante sobre seus pensamentos.

“Se os terroristas vão atacar a América, por que não  minha cidade, minha casa… minha família!”

Felizmente, a racionalidade não desapareceu de todo no cenário americano.

Ainda em março, pesquisa Gallup mostrou que 51% dos cidadãos eram contra o fracking, processo para produzir gasolina e gás a partir do xisto. E isso embora seja um processo fácil e barato, que contribui para reduzir ou acabar com a dependência dos EUA à importação  petróleo.

De acordo com a pesquisa, a maioria dos americanos preocupa-se mais com a contaminação da água e da terras que o fracking espalha, causando moléstias graves, inclusive câncer, na população da região onde é usado.

36% preferem dar mais importância ao interesse econômico e apóiam o fracking enquanto 13% se declaram por fora do assunto.

Ressalto que no ano passado havia um empate entre os defensores  da vida e os defensores do dólar: 40% x 40%.

O avanço de 11% na posição anti-fracking contra a queda de 4% na posição contrária, totalizando 15% de vantagem obtidos em um ano faz supor que Tio Sam ainda pode ter esperanças nos seus sobrinhos.

 

 

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