O Irã bate e sopra.

A diplomacia iraniana adotou uma nova estratégia nas suas relações com os países do Ocidente  e a China: o P5+1.

Enquanto um dos seus representantes ameaça, o outro amacia.

O parlamentar Mansour Haqiqatpour, membro do Comitê de Segurança Nacional e Política Externa, anunciou que, se a próxima rodada de negociações com o P5+1 não der em nada, o Irã passaria a enriquecer urânio a 60%.

Ainda não basta para fazer bombas nucleares, seria preciso urânio a 90%, mas já fica bem mais perto. Deixaria o Ocidente mais preocupado e Bibi mais ansioso para bombardear o Irã.

Mansour explicou que seria para ser usado como combustível dos vasos de guerra iranianos.

As agências de informações internacionais apressaram-se a avisar que o Irã não tem submarinos nucleares o que torna o urânio a 60% mais suspeito.

Só que se encontra no parlamento de Teerã um projeto de produção de navios e tanques oceânicos movidos a combustível nuclear, exatamente urânio enriquecido a 60%.

Na mesma época das bravatas do parlamentar, o Ministro das Relações Exteriores iraniano, Ali Akbar Salehi, falava em Nova Iorque de maneira diferente.

Numa entrevista coletiva, foi perguntado se ele achava que um Irã nuclearmente armado traria maior estabilidade à região, ele respondeu: “Não. Se o Irã optasse por armas nucleares ele atrairia mais ameaças do outro lado. Porque, suponha que nós fabricássemos uma ou duas bombas nucleares, quem estaria do lado contrário? Nem India, nem Paquistão. Seria EUA contra o Irã.”

E Salehi acrescentou: “Podemos nos igualar aos EUA nessa questão? Pode uma pessoa racional desafiar os EUA? Um país como o Irã? Certamente não.”

Ele qualificou o Irã como uma entidade moralmente dirigida e declarou que uma bomba nuclear “seria contra nossas crenças. Se um país, qualquer país, incluindo o Irã, usa armas de destruição em massa, é o fim da validade, elegibilidade e legalidade do seu governo…É algo que não é de modo algum aceitável.”

Tanto a agressividade do parlamentar, quanto o bom mocismo do ministro indicam que, desta vez, o Irã está profundamente interessado em chegar a um acordo com o Ocidente e a China.

As sanções estão funcionando, fazendo os dirigentes iranianos caírem na real e deixarem de lado seu orgulho.

Mas o “outro lado” não deve abusar; humilhações o governo do Irã não irá aceitar.

E terá o povo ao seu lado, por maiores os sacrifícios que lhe seja imposto.

 

 

 

 

 

 

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