O Equador sai da escola de ditadores.

O governo do Equador acaba de informar que não vai mais enviar seus militares para os cursos da Western Hemisphere Institution for Security,  antiga Escola das Américas.

Foi uma instituição do Departamento de Defesa dos Estados Unidos criada em 1946  para preparar os oficiais das nações latino-americanas para  cooperar com os Estados Unidos na contenção dos movimentos populares e partidos de esquerda, que ameaçavam o “quintal americano”.

Seus cursos incluíam técnicas de contra insurgência, operações de comando, treinamento em golpes de Estado, guerra psicológica,  intervenção militar, técnicas de interrogação.

Manuais militares de instrução destas matérias, inicialmente confidenciais, foram liberados pelo Pentágono em 1996. Além de técnicas propriamente militares, eles ensinavam a lidar com esquerdistas, por meio de violações de direitos humanos, como por exemplo, tortura, execuções sumárias e desaparecimento de pessoas.

Passaram pelos bancos da Escola das Américas mais de  61 mil oficiais de países de quase toda a América Latina.

Entre seus alunos, contaram-se alguns dos mais representativos ditadores e oficiais do Continente, envolvidos em torturas, golpes de estado e assassinatos.

A respeito deste corpo discente, declarou o senador democrata americano Martin Meehan: “Se a Escola das Américas decidisse celebrar uma reunião de ex-alunos, reuniria alguns dos mais infames e notórios malfeitores do hemisfério”.

A lista abaixo mostra alguns deles;

– General Manuel Noriega, ditador do Panamá;

-General Leopoldo Galtiere, chefe do governo ditatorial  da  Argentina ;

-General Augusto Pinochet, ditador do Chile;

– General Somoza, ditador da Nicaragua;

-General Hugo Banzer, ditador da Bolívia;

-Vladimir Montesino, chefe de segurança de Fujimori, no Peru;

– Roberto D´Aubuisso, autor de golpe de estado e chefe de esquadrões da morte em El Salvador.

A Escola das Américas foi constantemente combatida por movimentos de direitos humanos.

Finalmente, em 1996, Bill Clinton mandou fechá-la, fundando em seu lugar a Western Hemisphere Institution for Security, com um currículo bem mais ameno.

No entanto, a ONG School of the Americas Watch, sustenta que, embora o nome tenha mudado e a escola não ensine mais como torturar sem deixar vestígios e outras matérias similares, o objetivo ainda é semelhante ao antigo: promover a hegemonia dos EUA como essencial ao progresso e à preservação da democracia em todos os países das Américas.

Antes do Equador, a Venezuela ( em 2004), a Argentina e o Uruguai (em 2006)  e Costa Rica (em 2007) já haviam tirado seus alunos desta escola.

 

 

 

 

 

 

 

 

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