O Chile volta às ruas.

No ano passado, os estudantes promoveram 40 manifestações , que contaram com o apoio popular.

Em geral eram grandes marchas que, não raro, reuniam entre 80 e 100 mil participantes.

Eles queriam reformas universitárias para permitir o acesso de todos ao ensino superior.

Tratava-se de uma causa que envolvia, não só os jovens, mas também seus pais.

O regime de Pinochet havia acabado com o ensino gratuito. Mesmo as faculdades públicas deveriam cobrar.

Oferecia-se bolsa aos estudantes pobres e financiamento bancários aos demais, a ser pago num prazo de 10 anos.

Para o sistema poder funcionar, o governo, embora reduzindo pela metade os orçamentos da Educação, concedia grandes subsídios aos bancos e às universidades privadas.

Só que o número de bolsas sempre foi insuficiente, mínimo mesmo.

E, como os custos das faculdades era muito alto  (considerado um dos maiores do mundo), o jovem, ao se formar, via-se na obrigação de pagar prestações mensais acima de suas condições.

Eram obrigados a procurar empregos em atividades alheias às dos seus estudos.

Muitos recorriam aos pais que, nem sempre, tinham como pagar o empréstimo. Ou só o faziam com grandes sacrifícios de toda a família.

Mudar o sistema era muito complicado.

Trata-se de uma lei orgânica constitucional e esse tipo de lei, por obra do governo da ditadura Pinochet, é praticamente impossível de ser alterado pois, requer uma maioria de votos absurdamente grande.

No governo Pinera, havendo vontade política, poderia ser conseguido mudar. A oposição de centro-esquerda era a favor. Somando seus votos aos dos aliados do governo, haveria número para aprovar uma lei que oferecesse ensino gratuito e de qualidade a todos.

O movimento estudantil acabou sem resultados.

Neste ano, os jovens chilenos voltaram a protestar.

E em grande estilo: mais de 100 mil pessoas participaram de marcha pela reforma universitária.

Agora eles tem uma proposta concreta para responder às argumentações negativas do Presidente Pinera.

“Pedimos uma reforma tributária que redistribua a riqueza para poder estabelecer a educação como direito universal”, declarou Gabriel Bonc, Presidente da Federação dos Estudantes do Chile.

Gabriel garante que a reforma proposta aumentaria a arrecadação do governo chileno em 1 bilhão de dólares, quantia suficiente para  realizar a necessária reforma universitária chilena.

 

 

 

 

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