Netanyahu, senhor de Israel.

Na semana passada, divulgou-se uma pesquisa mostrando Netanyahu com apoio maciço do povo israelense.

Nada menos de 48% dos respondentes preferiam que ele continuasse Primeiro Ministro, contra 16% do segundo mais indicado.

Logo em seguida, ele resolveu antecipar para setembro as eleições que deveriam se realizar no ano que vem.

Lógico, queria aproveitar a onda a seu favor para aumentar o número de parlamentares do seu partido, o Likud.

Eis que, para surpresa geral, Bibi deu o dito por não dito, anunciando que havia firmado um acordo com Shauol Mofatz, Presidente do Kadima, para que esse partido, o maior da oposição, aderisse a seu governo.

Com isso, Bibi passa a contar com 94 entre os 120 deputados do Knesset (Parlamento de Israel). Terá todos os seus projetos facilmente aprovados.

Agora entendemos porque Tzipi Lipni, que era líder da bancada do Kadima, havia renunciado no começo do mês.

Depois de acusar Netanyahu de estar arriscando a existência de Israel como país democrata e judaico, ela jamais poderia aceitar ter de apoiá-lo no Knesset.

Coerente com suas idéias, Tzipi liderou na terça-feira uma passeata de 1.000 membros do Kadima, contra a adesão, considerada oportunista.

Parece ter sido mesmo.

Afinal, Mofatz vinha criticando Bibi duramente. Para ele, um ataque unilateral ao Irã poderia ser desastroso e teria resultados limitados.

Além disso afirmava que o principal problema a ser resolvido, a questão da Palestina, era completamente negligenciado pelo Primeiro Ministro.

Falou mais alto o resultado das pesquisas que indicava uma provável perda de metade dos deputados do Kadima, caso a eleição fosse antecipada.

E Mofatz esqueceu sua aversão às idéias do governo para impedir o enfraquecimento do seu partido, entrando para a “base aliada”.

Inquirido sobre as diferenças de opinião entre ele e seu novo aliado, Bibi declarou que seriam discutidas “com seriedade e responsabilidade.”

David Makovsky, diretor do Instituto de Washington Institute for Near East Policy´s Project on the Middle EAST Peace Process, assegura que : “Ele (Netanyahu) será capaz de unir o país mais facilmente no curso dos acontecimentos ao incorporar o chefe do partido de oposição.”

Isso é evidente.

De agora em diante, Netanyahu governará praticamente sem oposição. Será o senhor inconteste de Israel.

Os analistas divergem quanto aos caminhos que ele irá seguir, utilizando a grande força que a adesão do Kadima lhe trouxe.

Para alguns, o importante é que Mofatz  certamente conseguirá moderar o radicalismo de Bibi.

Pensam até que o Primeiro Ministro, graças à influência de Mofatz, tenderia até mesmo a aceitar algumas exigências dos palestinos para poder iniciar as negociações de paz. E teria mais paciência para esperar que as sanções dos EUA e da Europa prostrem o Irã de joelhos e o obriguem a pedir água.

Outros acham o contrário.

Mofatz é que mudaria suas posições.

O eleitorado do Kadima, pelas últimas pesquisas, mostrou estar consideravelmente reduzido.

A liderança de Mofatz em seu próprio partido está enfraquecida pelo grupo liderado por Tzipi Livni, que considera uma traição a entrada num governo que o partido, até a pouco tempo, vinha atacando duramente.

Por tudo isso, a influência do presidente do Kadima no governo Netanyahu seria pouco significativa.

Ele será útil a Bibi, sim, porque, como afirmou o Ministro dos Transportes, Yisrael Katz à Rádio Israel: “…de hoje em diante, o estado de Israel será mais unido, tanto em sua capacidade de deter, como também, se necessário, em sua capacidade de agir (contra o Irã).”

Já que 63% dos israelenses, de acordo com pesquisas, só é favorável ao ataque ao Irã se iniciado pelos EUA o primeiro ataque ao Irã, Bibi atraiu para seu lado Shaoul Mofatz, que defende essa tese.

Com ele a seu lado, Bibi voltaria a pressionar Obama a bombardear o Irã, com a autoridade de estar falando em nome de praticamente todo o povo judeu.

Nos próximos meses, a campanha eleitoral americana estará pegando fogo. Através dos candidatos republicanos e de uma grande concentração de mídia fiel a Israel, uma omissão de Obama seria apresentada como responsável pela transformação do Irã numa potência militar nuclear.

Caso o Presidente americano resistisse, Netanyahu  poderia afirmar, com aval do aliado Mofatz, que fizera o possível, mas Obama deixara Israel na mão.

Ele se sentia obrigado a usar da força militar contra os iranianos para salvar Israel do holocausto. Era a unia opção que restara sobre a mesa.

Acho que essa interpretação é correta.

Bibi não tinha porque chamar seu adversário para o Governo se não fosse para servir a seus interesses.

Esses interesses ele já deixou mais do que claros: destruir o poder iraniano.

Quanto aos palestinos, por quem Mofatz, meses atrás, vinha se preocupando tanto, esses serão esquecidos.

Como, aliás, sempre foram.

Apesar das condenações da ocupação de Israel pela ONU, da solidariedade retórica de Obama e da Comunidade Européia, de tantas boas intenções.

Aquelas de que o inferno está cheio.

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