Negociações de paz: Bibi estica a corda.

O primeiro ministro de Israel está abusando.

Parece que ele pretende forçar Abbas a engolir sapo atrás de sapo, certo de que seu oponente palestino não terá coragem para virar a mesa das negociações de paz. Pois isto seria enfrentar os EUA, coisa que Abbas  não demonstra ter coragem de fazer.

Assim, em 3 sucessivos lances, Bibi acabou empurrando goela abaixo dos líderes palestinos cerca de 2.000 novas construções em assentamentos ilegais, inclusive na Jerusalém Oriental, a capital sonhada da futura Palestina independente.

Agora anuncia-se a aprovação para breve de mais 1.500 novos assentamentos em Jerusalém Oriental.

Uri Ariel, o ministro da Habitação, veio com uma nova provocação, afirmando que as expansões ilegais continuariam a todo vapor uma vez que a solução dos 2 estados seria “irrealista e jamais acontecerá.”

Claro, houve veementes protestos, denúncias da falsidade dos israelenses que, na verdade, não estariam nem um pouco interessadas na famosa solução dos “2 Estados”.

E ameaças.

Tanto de rompimento da negociações quanto de processamento de Israel no Tribunal Criminal Internacional.

O porta-voz do governo de Telaviv desqualificou o primeiro item, afirmando que os novos assentamentos localizavam-se em regiões que, no acordo final, deveriam ficar para Israel.

O que não deixa de ser estranho uma vez que, quando ele falou, as negociações não tinham nem começado, portanto, nada havia sequer sido tratado sobre essa questão.

Aí, de duas, uma : ou Abbas assinou um acordo secreto, concordando com as pretensões de Israel quanto aos assentamentos- o que seria algo entre vergonha e traição – ou Bibi já definiu quais ele deseja e não pensa em jamais mudar de opinião.

Em qualquer caso, as negociações seriam inúteis, já que, aprovado ou não por Abbas, o novo mapa da região já foi desenhado por Israel.

Quanto à segunda ameaça dos palestinos, de levar Israel às barras do Tribunal Criminal Internacional, pela criação de assentamentos ilegais , Telaviv tem uma pronta resposta.

Os palestinos já teriam prometido não partir para o processo, segundo assessor de Bibi, em troca da libertação dos 104 prisioneiros.  Se quebrassem a promessa, estariam violando termos das negociações de paz.

E ficariam sujos diante da Casa Branca.

Hannan Ashrawy, membro do comitê executivo da Frente para Libertação da Palestina, admitiu que Abbas havia mesmo aceito se omitirem troca da libertação de 104 prisioneiros, durassem o período das negociações.

Mas elas poderiam ser rompidas caso continuasse a expansão de assentamentos promovida por Bibi Netanyahu.

O que pode muito bem acontecer.

Foi divulgado pela imprensa israelense a existência de um compromisso  “não oficial” do governo de construir apenas um limitado número de novos assentamentos, uns 1.000, durante o transcorrer dos 9 meses que deveriam durar as reuniões até o acordo final.

Parece que Netanyhau esqueceu isso pois já está tocando o triplo dos assentamentos permitidos, antes mesmo das negociações começarem.

Por sua vez, Abbas reafirmou seus compromissos com a busca da paz e afirmou esperar que Israel fizesse o mesmo.  Embora expandir assentamentos não fosse exatamente uma contribuição para o bom êxito das negociações.

Não duvido de que um novo sapo esteja a caminho.

 

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