Nada como um Kirchner depois do outro

Quando assumiu a presidência da Argentina, Nestor Kirchner encontrou seu país destruído pelo neoliberalismo e pelo governo Menem.

O desemprego deixava sem rumo 24% da população. A economia recuava a 20% negativos ao ano. A pobreza atingia 54% dos argentinos. E o futuro pressagiava cenários talvez ainda piores, pois a dívida externa chegava a 147 bilhões de dólares, com juros que sangravam as finanças públicas e impediam qualquer plano de recuperação.

Kirchner enfrentou a oposição da banca internacional, apoiada pelos grandes países do Ocidente, impondo aos credores descontos de 50 a 60% nos seus créditos.

Internamente, ele instituiu uma taxa sobre as principais commodities exportadas pelo país, mantendo assim o dólar apreciado e o peso desvalorizado, o que garantiu maior competitividade internacional aos produtos argentinos. E deu recursos ao governo para estimular o desenvolvimento do país, inclusive reduzindo os juros para 10% a.a., re estatizar empresas de serviços públicos privatizadas por Menem, que funcionavam mal, e realizar ambiciosos programas de promoção social.

Com isso, Nestor Kirchner mudou a Argentina.
 A economia cresceu numa média de 8.8% durante seu governo, o desemprego caiu para 8,5% e mais de 11 milhões de pessoas, 28% da população, saíram da linha da pobreza, sendo que os mais pobres triplicaram seus rendimentos.

A sucessora de Kirchner, sua mulher Cristina, continuou a política do marido: forte intervenção estatal na economia, inclusive nacionalização da previdência privada, subsídios aos transportes e ao setor energético, protecionismo comercial e programas sociais de grande envergadura.
Diante da alta crescente dos preços internacionais das commodities, Cristina, no início de 2008, resolveu aumentar os impostos de exportação para 35%.
Isso despertou a fúria dos proprietários agro-pecuários, que lançaram um “lock-out”, cessando a distribuição interna da carne, soja e trigo. Com apoio da maioria da imprensa, conseguiram convencer o público da culpa do governo no desabastecimento.
Cristina foi obrigada a ceder. Como logo a seguir a crise mundial atingiu a Argentina, a situação favorável às exportações mudou e a presidente teria mesmo de cancelar o aumento de impostos.
Outra luta em que Cristina se empenhou foi contra a grande mídia.
Depois de um confronto de muitos meses com a oposição e a maioria dos veículos de comunicação do país, o governo conseguiu a aprovação de uma lei que regulamentava a imprensa.
Seu objetivo principal : acabar com os monopólios, garantindo a concorrência no setor e o direito do povo à informação.
Frank La Rue, comissário da ONU para monitoração da liberdade de expressão, considera a Ley de Medios a regulamentação de meios audiovisuais mais avançada do mundo.
 No governo de Crtistina Kirchner, a economia da Argentina continua apresentando bons resultados. Entre 2008 e 2010, o crescimento médio foi de 5,6%, sendo que para este ano o índice esperado é de 6,9%.
 O grande problema do país é a inflação que segue alta. 8%, de acordo com o governo, 25%, de acordo com institutos particulares. De qualquer maneira, números nada agradáveis.
Apesar do país estar crescendo, neste ano, em função da crise mundial, vem acontecendo fuga de capitais, especialmente estrangeiro. 3 bilhões de dólares já saíram.
Estes problemas não tem abalado a posição de Cristina Kirchner nas pesquisas relativas à eleição presidencial do próximo domingo.
Segundo o levantamento da Management & Fit, ela aparece com cerca de 53% dos votos prováveis, mais de 40 pontos à frente do segundo colocado, o socialista, Hermes Binner. Ricardo Alfonsin, da União Cívica Radical (o PSDB da Argentina) vem logo a seguir, num decepcionante terceiro lugar.
Durante a campanha eleitoral, os candidatos da oposição exploraram ao máximo a inflação e o enriquecimento exagerado dos Kirchners durante seus governos.
Mas, ao que tudo indica, o povo argentino vai votar a favor da continuidade do Plano Kirchner, confiando nos seus resultados sócio-econômicos.

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