Na guerra da Colômbia, vitória do pragmatismo.

A guerra da Colômbia arrasta-se desde os anos 60.

O governo calcula que já morreram 600 ml pessoas, existindo ainda 3 milhões de desalojados, que perderam suas moradias.

A guerrilha nasceu com o objetivo de derrubar o governo e instituir um regime marxista que garantisse terra aos muitos milhões de camponeses que viviam em péssimas condições.

Ela foi combatida por uma sucessão de governos de direita e centro direita, paramilitares e milícias de latifundiários.

A princípio, os guerrilheiros das FARCs cobravam pedágio dos traficantes de cocaína. Com o tempo passaram a eles próprios entrarem nesse mercado para arrecadar dinheiro necessário a suas atividades.

Ultimamente, a guerrilha vinha declinando, tendo perdido vários líderes em ataques do exército.

Já contou com 16 mil milicianos, hoje tem apenas a metade.

Ao contrário do governo Uribe, partidário do uso da força, que o antecedeu, o presidente atual, Santos, preferiu o caminho das negociações com os guerrilheiros.

As reuniões começaram em novembro passando, em Cuba.

E agora anunciaram o primeiro resultado concreto: acordo entre o governo e as FARCs, que promete terra para os camponeses, com financiamentos e assistência técnica.

De acordo com dados oficiais, apenas 22% das terras aráveis estão sendo cultivadas. No momento, 52% delas concentram-se nas mãos de apenas 1% da população.

Durante o conflito, 6 milhões e quinhentos mil hectares foram tomados à força, abandonados ou mudaram de mãos por outros meios ilegais, entre 1985 e 2008. Paramilitares, pistoleiros pagos por latifundiários e as próprias FARCs foram os agentes dessas ações violentas.

Como parte do acordo, um banco rural deverá ser criado para distribuir  aos camponeses as terras ocupadas irregularmente.

O representante do governo nas negociações declarou que ”os proprietários legais não terão nada a temer.”

Nos texto lido quando da apresentação do acordo, as duas partes asseguraram que o acordo “buscava reverter as causas do conflito”e seria “o início de transformações radicais na realidade rural e agrária da Colômbia”.

Foi o primeiro item de uma agenda de discussões a ser concluída antes do acordo final de paz. Os outros itens são ; – participação política das FARCs; – desarmamento da guerrilha; – combate às drogas ilícitas; – direitos das vítimas e implementação da paz.

Um acordo que ponha fim à guerrilha, prevendo medidas de interesse da população do campo é conveniente para ambas as partes.

O presidente Santos busca marcar sua independência em relação ao governo de direita do presidente Uribe, que apoiou sua candidatura, e frimar uma imagem de reformista e defensor dos direitos humanos.

Oposta à do seu antecessor.

Por sua vez, as FARCs, que perderam prestígio com sequestros e envolvimento com drogas, buscam recuperar sua imagem, co- promovendo a paz que a nação inteira exige.

Para os dois lados, a continuação da guerra seria algo profundamente negativo.

Combates, sequestros e atentados prejudicam seriamente o desenvolvimento e ameaçam a segurança da sociedade – o que repercutiria mal para o projeto político do presidente.

Continuar uma guerra sem chances, tornando-se cada vez mais rejeitada pelo povo, seria uma perspectiva desastrosa para as FARCs.

Pragmáticos, governo e guerrilheiros estão acertando seus ponteiros, mesmo às custas de concessões.

 

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