Na Grécia, o racismo mostra as garras.

A violência racista bate recordes na Grécia.

A Rede de Registro de Violências Racistas, integrada por 23 ONGs e pelo Comissariado da ONU para Refugiados, relatou 154 casos em 2012, sendo 25 de responsabilidade da própria polícia.

Esse número é 20% mais alto do que no ano anterior. Na verdade, deve ser maior porque, como quase todas as vítimas são imigrantes, eles temem ser mal tratados pelas autoridades ou deportados por terem entrado ilegalmente no país.

Com o objetivo de expulsar os imigrantes ilegais, o governo grego desencadeou uma operação policial, com os agentes abordando suspeitos na rua e prendendo para deportação os que não tem documentos em ordem.

Muitos policiais cumprem essa tarefa com brutalidade, atingindo inclusive turistas. A tal ponto que o Registro de Violência Racistas apelou para que o governo grego “impedisse policiais de levar a cabo atos de violência racial”, anexando documentos atestando  15 incidentes desse tipo.

Segundo Kostis Papaioannou, chefe da Comissão Nacional de Direitos Humanos, está havendo não só um aumento das ações violentas, mas também de sua intensidade.

Os ataques são cada vez mais brutais, sendo que os grupos de agressores atacam os imigrantes com barras de metal, correntes, cacos de vidro, facas e bastões de madeira.

A Comissão de Direitos Humanos informa que os ataques racistas tem causado fraturas, danos à visão e ferimentos por todo o corpo dos imigrantes.

Atribui-se a maioria desses ataques a membros do Aurora Dourada, um partido neonazista que vem crescendo rapidamente nos anos de crise que a Grécia vem vivendo.

Em 2009, eles conseguiram 0,46% dos votos nas eleições para o parlamento.

Em 2012, apenas 3 anos depois, aumentaram sua votação para 6,92%, elegendo 18 deputados.

Em recente pesquisa da Emissão Pública, já apareciam com 11% do eleitorado.

Adotando uma pregação violentamente racista, eles estimulam o ódio aos imigrantes, apresentados como figuras repelentes, responsáveis por grande parte dos problemas da Grécia.

Em um festival do partido, o candidato a deputado nas eleições de 2012, Alexander Plomari fez um discurso aplaudidíssimo pelos milhares de militantes presentes, no qual declarou o seguinte sobre os imigrantes: “Nós não queremos saber da sua existência.  Estamos prontos para abrir os fornos. Vamos transforma-los em sabão…  Faremos abajures das suas peles.”

A pregação da Aurora Dourada contra os imigrantes é eficiente. Em função da crise, o desemprego cresceu muito e eles são vistos como concorrentes no mercado de trabalho, que “roubam” empregos dos gregos.

O governo é acusado de leniência na repressão da violência desses neonazistas.

De fato, é conhecida sua ligação com setores da polícia e até do exército.

Em diversas ocasiões, agentes de segurança assistiram impassíveis a ações brutais de militantes do Aurora Dourada.

 

 

 

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