Mulheres sauditas ganham direito de se candidatarem.

Mas não se anime demais.

Elas não poderão se candidatar a cargos políticos.

Na Arábia Saudita, eleições só para conselhos municipais.

Suas atribuições são apenas no âmbito da prefeitura. Limitam-se a cuidar de assuntos como parques e jardins, circulação de veículos, estado das vias públicas, centros de saúde, contas da prefeitura e assuntos administrativos semelhantes.

Nada de política, que isto é coisa séria e portanto só figuras régias ou seus prepostos podem cuidar.

Nas questões públicas, o rei ouve os príncipes e outros nobres de alto padrão e toma as decisões ditadas por seus princípios ou humores do momento.

Apesar do alcance estreito dos poderes do conselho, muitas mulheres sauditas apressaram-se a concorrer: nada menos do que 970 do total dos 6.917 candidatos.

Apenas 10% das mulheres votaram devido  a vários motivos: dificuldades de locomoção pois só poderiam dirigir-se aos centros de votação acompanhadas dos maridos, dificuldades burocráticas para atender a exigências pouco divulgadas e desinteresse da maioria silenciosa feminina em se fazer ouvir em algo que, convenhamos, não significa muita coisa.

Talvez por esta razão, também os homens não foram às urnas em massa. Numa população de 20 milhões de habitantes, somente 1 milhão e 320 mil se deram ao trabalho de votar.

Embora o direito de se eleger a uma função pública de tão pouco peso tenha sido visto como um avanço pelas raras e corajosas (até à temeridade) feministas sauditas, os chefões religiosos viram nisso perigo. Um primeiro passo, embora tímido, para as mulheres começarem a ocupar cargos políticos.

O mais importante dignatário religioso do reino,  o Grande Mufti,  advertiu que permitir o envolvimento feminino na política será “abrir as portas para o Mal.”

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