Guantánamo, será que acaba?

Mais uma vez Obama reiterou sua promessa, feita há quase 10 anos, de que fecharia Guantánamo.

E mais uma vez ela não deve ser cumprida.

O  The Guardian de 28 de dezembro publica relato desanimador dos advogados dos detentos da prisão.

Se a revisão dos casos, dizem eles, continuar nesse ritmo, o prazo final de janeiro de 2017 não será respeitado.

O presidente americano costuma colocar no Congresso a culpa de Guantánamo continuar funcionando, contra a sua vontade.

Seriam as leis e regulamentos criados pelos deputados e senadores que, em todos estes anos, dificultaram ao máximo a libertação e transferência dos presos considerados inocentes e o julgamento adequado dos demais.

É apenas uma parte da verdade.

Obama diz que tem feito o possível. Inclusive recentemente vetou uma lei que proibia a aplicação de recursos na transferência de presos da ilha-prisão para o continente.

Chegou a reclamar em público do secretário de Defesa Ashton Carter pela lentidão com que estão sendo aprovadas as liberações e transferências dos presos para os EUA..

Em parte, deu certo, houve alguma aceleração no processo.

Mas continua em velocidade reduzida.

O fato é que o Pentágono parece ser o grande opositor à continuidade daquilo que seria, segundo o próprio Obama, “uma vergonha para a nação.”

Por exemplo : a burocracia militar criou motivos para obstaculizar ao máximo incrível o processo de libertação daqueles que, depois de uma investigação mais profunda, foram considerados inocentes.

Dos 107 atuais detentos, 48 já foram liberados para ganharem a liberdade, a maioria desde 2009.

Teria sido fácil.

Mas, devido à absurda lentidão da burocracia da prisão e à inação do governo, eles permaneceram retidos até que em novembro do ano passado o Senado aprovou leis que criam rígidas restrições ás transferências de Guantánamo.

Claro, essas leis atrapalham mas não impedem. O governo pode pressionar para que cada etapa ocorra no prazo mínimo. Forçar a burocracia do Pentágono a se apressar.

Em 2011, numa tentativa de acelerar a soltura de presos que não tinham sofrido qualquer acusação, Obama criou um Comitê de Revisões Periódicas (PRB). A idéia era analisar esses casos para verificar se haveria motivos para manter os suspeitos atrás das grades.

Descobriu-se que havia 38 indivíduos nessas condições, alguns presos há muitos anos.

De 2011 para cá, portanto, durante cinco anos, nenhum desses casos de réus sem acusação foi revisado pelo PRB.

Ainda há tempo.

Obama ainda tem um ano inteiro para fazer com que seu programa de revisões periódicas realmente funcione.

Para os advogados dos presos de Guantánamo, o fechamento da prisão depende muito das ações do presidente.

“Há sinais de progresso, mas no andamento atual o governo não terá resolvido a situação de todos os detentos e lhes dado uma chance adequada na altura da saída de Obama.

 

 

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