A Libia entre o golpe e as milícias.

Autoridades líbias confirmaram na semana passada que Tripoli, a capital, caíra nas mãos da milícia Misurata. ”A maioria dos ministérios, instituições e departamentos do Estado estão fora do nosso controle.”

Nenhum dos ministros, assessores, diretores e funcionários podem entrar.

A milícia Misurata é uma das principais facções da revolução que destronou o ditador Mohamed Gadafi, com apoio aéreo e armamentos da Europa e dos EUA.

Eles se distinguiram por promoverem ataques sangrentos contra imigrantes africanos, acusados de serem mercenários de Gadafi.

Ganhando muito poder depois da revolução, eles agora tratam de se consolidar em diversas regiões do país.

Em Tripoli, a Misurata enfrenta as forças do general Haftar, que conta com a maioria  do exército regular líbio.

Ele iniciou um golpe militar em maio, fechando o Parlamento eleito democraticamente, por considerá-lo  incapaz de enquadrar as indisciplinadas milícias que impedem a reorganização do país.

Ele, Haftar, dizia ter vindo para acabar com as milícias.

Antigo darling do regime Gadafi, Haftar caiu em desgraça, saiu do país, formou um exército particular e acabou sendo transportado pela CIA para os EUA.

Voltou 20 anos depois para participar da revolução contra Gadafi.

Sumiu de novo por uns poucos anos e voltou agora, à frente de tropas bem armadas  , com as bênçãos da embaixadora americana na Líbia, Debora Jones, que assumiu sua defesa, negando ser ele golpista, apenas um patriota que queria expulsar os radicais muçulmanos.

Como não havia nenhum mecanismo legal para  poder promover sua meritória obra de salvação nacional, teria tido de recorrer a um golpe militar.

Como disse ex-enviado da Líbia, Aujali:  “Os americanos o conheciam (Haftar) muito bem. Penso que trabalhar para a CIA pelo bem do seu país não é vergonha nenhuma.”

Assim não pensaram os representantes do governo líbio que o puseram fora da lei, chamando as milícias para defesa da ordem legal, que agora a Misurata trata de desobedecer.

Com o fechamento do parlamento, os representantes do povo reuniram-se em outro local.

Sentindo a gravidade do momento, eles procuram encontrar soluções para superar as brigas que tinham paralisado o país. Elegeram um novo primeiro ministro, Thini, com a missão de formar um ministério provisório em seis meses.

Que poder o novo governo terá, é uma incógnita.

Nenhum do que depender do general Haftar.

Em Tripoli, suas tropas lutam contra os milicianos do Misurata.

Enquanto isso, enfrentam em Bengazi, a segunda cidade do país, as forças do Ansar al-Sharia Shura, uma das duas maiores milícias que atuam na região.

Apesar da aviação estar do lado do general, realizando várias missões de bombardeio, os milicianos do Shura resistem. E a luta, que começou em maio, tem resultado até agora incerto.

Desarmados, sem as tropas do exército, nem milicianos combatendo pela legalidade, os parlamentares tem um espaço muito reduzido para exercer suas funções.

Já apelaram para a comunidade internacional.

Afinal, ela tem alguma obrigação para com a Líbia.

Sem os EUA, a Europa e os países do Golfo, a revolução não teria vencido..

A Líbia continuaria governada por Gadafi.

Sem liberdades, sem oposição, sem eleições livres, sem direitos humanos…

Mas em ordem, continuando a progredir e a oferecer boas condições de vida aos habitantes.

Com exceção daqueles que ousassem criticar o governo.

 

 

 

 

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