Jihadistas se impõem na insurgência síria.

Durante os dois anos e meio que dura a rebelião síria, Obama sempre insistiu na retirada de Assad.

Nas várias vezes que o presidente sírio falou em negociações de paz, primeiro Hillary Clinton e depois John Kerry foram contra.

Paz só sem o presidente da Síria.

Embora agindo politicamente em favor dos rebeldes, o presidente dos EUA negava-se a fornecer armas, insistentemente pedidas pelos rebeldes.

O povo americano não queria mais saber de aventuras militares.

Havia outro motivo: o risco das armas americanas caírem nas mãos dos grupos jihadistas, próximos à al- Qaeda, que enxameavam nas hostes da insurgência.

Além disso, a guerra parecia ir bem. Assad não deveria durar muito.

Mas os ventos mudaram e as forças do governo começaram a ganhar todas as paradfas. Com o reforço do Hisbolá, desenhou-se uma reviravolta total.

Isso fez com que Obama resolvesse se mexer.

Não poderia perder a chance de retirar do Irã seu principal aliado no Oriente Médio: o regime de Assad.

Tendo informado ter provas do uso de armas químicas pelo chefão sírio, anunciou que os EUA passariam a apoiar os rebeldes de forma direta.

Logo a seguir, esclareceu que seria com armas leves.

Não adiantaria nada, reclamaram os líderes da revolução, sem armamentos pesados, não conseguiriam vencer.

Mas a Casa Branca hesita.

Embora assessores de inteligência afirmassem que poderiam dar um jeito para que fossem entregues só aos amigos do Ocidente, não era garantido.

Seria perigoso enviar artilharia anti- aérea, mísseis anti- tanques e morteiros.

E se caíssem nas mãos dos jihadistas?

Quem os impediria de, em novos conflitos, atacar objetivos americanos com esse poderoso armamento?

As preocupações americanas tem fundamento.

Os movimentos radicais islâmicos estão cada vez mais fortes, assumindo o principal protagonismo No campo de batalha.

Essa é, aliás, a conclusão de um grupo de jornalistas da Reuters, que durante 10 dias percorreram o território tomado ao governo central.

Fragmentados e sem organização, os grupos democráticos, tanto islâmicos quanto secularistas, perdem espaço, dia a dia.

Há mesmo uma tendência crescente entre os movimentos islâmicos moderados de serem absorvidos pelos jihadistas.

Sentindo isso, as minorias cristãs, curdas, alauitas e xiitas temem que, numa eventual vitória da revolução sob liderança dos radicais, seja implantado um regime religioso autoritário, tipo talibã, onde elas seriam perseguidas.

Informam os jornalistas da Reuters que os  principais grupos radicais são o Ahrar al-Sham e o Jabhat al-Nussra, filial da al-Qaeda, que se responsabiliza por dezenas de ataques suicidas, especialmente em Damasco, onde civis foram mortos.

Eles são mais agressivos, melhor organizados e recebem considerável ajuda financeira e armas de apoiadores privados sunitas da Arábia Saudita.

Contam ainda com o reforço de milicianos da al-Qaeda do Iraque, que chegam pela fronteira.

Aaron Zelin, do Instituto Washi de Política do Oriente Próximo, comenta: “Eles (o Nussra e o Ahrar) tem capacidade militar. São organizados e dispõem de comando e controle.”

Nas regiões ocupadas pelos rebeldes, os jihadistas são, em geral, bem vistos pelo povo.

Em Alepo, 4 brigadas, entre as quais o Nussra e o Ahrar, assumiram o controle e fornecem aos cidadãos alimentos e outros produtos de necessidade diária.

Criaram um tribunal que julga todo o tipo de crimes e contenciosos civis, de acordo com as leis islâmicas (sharia).

O povo local os considera juízes honestos e justos.

A segurança na cidade fica a cargo de uma Polícia Revolucionária Militar.

Em Alepo, os secularistas e islâmicos moderados são pouco atuantes.

Em muitas casas, suas bandeiras foram substituídas pelas bandeiras dos jihadistas, as quais espalham-se por toda a cidade.

Embora a ajuda militar americana deva ser efetuada através do aliado Supremo Conselho Militar (SMC), dificilmente deixará de ir para as mãos dos jihadistas.

Atualmente, esse conselho procura ganhar credibilidade junto aos soldados rebeldes. Por enquanto, sua autoridade é mínima.

Apesar desta incômoda realidade, Barack Obama insiste em limitar o apoio yankee a armas leves. Ainda assim, não parece ter pressa em começar.

Espera, talvez, que na reunião para negociar a paz, a se realizar em Genebra, Assad seja convencido a renunciar.

No entanto, tanto autoridades dos EUA, quanto chefes rebeldes, não acreditam numa possível paz negociada nos termos desejados.

Na recente reunião dos ditos “amigos da Síria”, em Doha, o pessoal do Exército Sírio de Libertação pediu, além de armas pesadas, a imposição internacional de uma zona livre de tráfego aéreo e de uma zona de segurança, de onde se lançasse ataques.

O secretário de Estado, John Kerry, segundo Jason Ditz, no site anti-war (21/6/2013), em recente reunião nos EUA, foi mais audacioso.

Propôs um ataque aéreo americano imediato.

Foi contestado pelo general Martin Dempsey, chefe do Estado- Maior das Forças Armadas, que declarou serem necessários 700 bombardeios para atingir todos os alvos determinados por Kerry.

Seria demais.

Acrescentou que, nem o secretário, nem ninguém no departamento de Estado tinham ideia do que fazer depois do bombardeio.

Até agora, Obama rejeitou as propostas dos rebeldes e de Kerry.

A eleição de um presidente reformista no Irã tem de ser considerada nessa questão.

Oficiosamente, os EUA admitiram sua presença nas negociações de paz na Síria.

Conforme os desdobramentos da questão nuclear iraniana, o Irã pode deixar de ser um rival a ser destruído.

Não será mais tão necessário eliminar o regime sírio aliado.

Assad está rezando por isso.

 

 

 

 

 

 

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