Israel sacrifica paz por petróleo.

Anos atrás o governo Netanyahu manteve uma série de contactos com o governo Assad.

Israel estaria em princípio interessado em devolver as colinas de Golã à Síria em troca de um tratado de paz com o regime de Damasco.

As colinas de Golã eram parte integrante do Estado sírio até a guerra de 1967, quando foram tomadas pelas tropas israelenses. Em 1981, elas foram formalmente anexadas ao Estado de Israel.

Choveram condenações internacionais, inclusive da ONU, pois é totalmente contrário ao direito a anexação de parte de um país por outro.

Mas Israel não se tocou. Tratou de criar assentamentos na região, como se fosse sua terra.

Muitos anos depois surgiu um interesse político do governo de Telaviv: quebrar a frente unida árabe anti-Israel, conseguindo um tratado de paz com um dos países que a integravam.

Daí a idéia de trocar Golã pela paz com a Síria.

Não foi longe.

Logo Netanyahu deu as negociações por encerradas.

Agora sabe-se a causa provável dessa mudança de rumo.

Descobriu-se que tem muito petróleo em Golã. E a empresa israelense  Afek Oil and Gas, subsidiária da Genie Israel, conseguiu autorização judicial para começar a perfurar na região.

A Genie é muito forte politicamente.

Tem como presidente, o general aposentado Effi Eitam autor da frase;”Palestinos são criaturas que vieram das profundezas da escuridão.”

Talvez por esta origem palestina, digamos, demoníaca, o general predisse que Israel afinal um dia teria de matar todos eles.

Num corpo de aconselhamento estratégico brilham o ex-vice de Bush Filho, Cheney, um dos principais responsáveis pela guerra do Iraque. Mais o magnata do jornalismo sensacionalista, Rupert Murdock.

Com essa “honorabile societá”, a Genie tem muita chance de tomar o petróleo de Golã para si.

Talvez por isso Netanyahu, na sua recente visita aos EUA, declarou que, diante da guerra sem fim da Síria, Israel pretendia conservar as colinas petrolíferas para sempre.

Temendo estar associado a estas más intenções, Obama tratou de protestar.

Corretamente, o Departamento de Estado informou que os EUA se recusavam a reconhecer a ocupação e subseqüente anexação de Golã por Israel.

Ficou difícil para Netanyahu.

Por enquanto a  petrolífera israelense está fazendo apenas perfurações exploratórias.

Se passar a produzir petróleo, a ONU e toda comunidade internacional protestarão de forma ruidosa.

Netanyahu seria flagrado como mentiroso.

Afinal, ele havia jurado que ocupava Golã apenas por necessidades estratégicas, para evitar que os sírios e o Hisbolá lançassem mísseis contra Israel de lá.

Mais uma vez se provaria que sua palavra não vale grande coisa.

E a imagem internacional de Israel iria cair ainda mais.

 

 

 

 

 

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