Carimbo europeu contra assentamentos.

A União Européia já proibia os 28 Estados-membros de oferecerem isenções de tarifas aos produtos manufaturados por israelenses nos territórios árabes ocupados.

Agora foi mais longe.

Ordenou que todos eles estampassem nos rótulos o carimbo “produzido nos assentamentos israelenses.”

Fúria em Israel. Netanyahu protestou candentemente acusando a Europa de hipocrisia e um dos ministros clamou que se tratava de “anti-semitismo disfarçado”, o que é a habitual crítica que o a direita israelense faz a tudo que a contraria.

As reações de Telaviv eram esperadas.

Se bem que o volume de exportações dos assentamentos para a Europa representem apenas 2% do total de Israel, o carimbo pode pesar na economia de produtores da região.

Afinal, 14 bilhões de dólares não são de desprezar.

É bem possível que a frase indicando que o produto vem de assentamentos israelenses afaste mesmo muitos compradores.

Afinal, os assentamentos são vistos em toda a Europa como verdadeiros vilões .

No Reino Unido, por exemplo, nada menos do que 4/5 dos jovens judeus os consideram o principal obstáculo à paz na Palestina.

Além de tudo, a ONU os condena explicitamente por serem-ilegais de acordo com o direito internacional.

Ora, se os assentamentos são ilegais, seus produtos não podem deixar de ser também.

Netanyahu talvez esperasse que seu eterno amigo, os EUA, apoiassem seus protestos.

Ilusão perdida.

Foi “a pie in the Sky”. como dizem os ingleses.

Em nome do governo Obama, Mark Toner, porta voz do Departamento de Estado, declarou :’Não acreditamos que carimbar a origem de um produto seja um boicote.E, como se sabe, nós não consideramos os assentamentos como parte de Israel. Não vemos carimbar a origem de produtos como sendo dos assentamentos seja um boicote a Israel.”

Pode não ser um boicote mas é, claramente,um aviso da Europa ao governo de extrema-direita de Israel: caso continue desafiando a ONU e bloqueando a paz, arrisca-se a sofrer punições bem mais severas.

Que vão desde a proibição de importar qualquer produtos dos assentamentos até, caso Netanyahu se exceda, de todo Israel, dos quais a União Européia é a maior importadora.

 

 

 

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