Israel pede, mas EUA não perdoa espião.

Shimon Peres, Presidente do estado de Israel, está nos EUA para tratar de diversos assuntos. Um deles é levar ao Presidente Obama um manifesto, assinado por 70 mil israelenses, pedindo a libertação do espião Jonathan Pollard.

Talvez isso não aconteça, pois antes de Peres chegar a Washington, Jay Carney, porta voz da Casa Branca declarou: “Nossa posição não mudou e não mudará. Pollack foi condenado por um crime extremamente sério.”

Pollard era um analista da Marinha que entregou segredos militares a Israel, entre 1984 e 1985. Julgado, ele foi condenado a prisão perpétua por espionagem contra seu país.

A princípio, Telaviv negou que Pollard fosse seu espião. 10 anos depois, acabou admitindo a verdade.

O espião foi e é tratado como herói em Israel.

Em 1995, o governo lhe concedeu a cidadania israelense. Posteriormente uma importante praça de Telaviv recebeu seu nome.

Todos os Primeiros-Ministros  israelenses, a partir dessa data, fizeram apelos ao governo americano para que perdoasse Pollard, por razões humanitárias. Prisão perpétua seria uma pena excessivamente pesada.

Bill Clinton, num dos seus livros, admitiu que gostaria de libertar o espião judaico. No entanto, a reação da comunidade de inteligência dos EUA foi tão forte, com argumentos tão sólidos, que o presidente desistiu.

Neste ano, foi promovida uma grande campanha em Israel, que resultou num abaixo-assinado pela libertação de Pollard, apoiado por 70 mil pessoas, incluindo militares, políticos e intelectuais.

Seu principal argumento é: sendo Israel uma potência amiga, não tem sentido tratar um seu espião como inimigo. A idéia seria que os segredos militares revelados por Pollard ao governo israelense seriam úteis em futuras campanhas nas quais Israel e EUA estariam  certamente unidos.

Acho que o fato dos EUA fornecer prodigamente recursos financeiros e armas (as mais modernas), a Israel, além de ter defendido e salvo esse país de condenações da ONU, torna mais grave a situação de Pollard.

Espionar um país, mais do que amigo, irmão, torna seu ato ainda mais condenável.

Quanto a Israel, que o contratou, demonstrou uma total falta de gratidão a quem lhe tem dado tanto, recebendo muito pouco em troca.

 

 

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