“Israel loves Iran”.

Enquanto Netanyahu e outros potentados israelenses multiplicam ameaças de ataque ao Irã, um casal de israelenses anônimos, Ronny Edry e Michal Tamir, agem em sentido contrário, dentro das escassas possibilidades de cidadãos comuns como eles.

Colocaram no Facebook uma mensagem comunicando que as ideias belicosas dos líderes israelenses não eram, necessariamente, compartilhadas  por seu povo.

Sob o título de ‘Israel ama o Irã”, a mensagem dizia: “Ao povo iraniano, a todos os pais, mães, crianças, irmãos e irmãs, para haver uma guerra entre nós, primeiro precisamos ter medo uns dos outros, precisamos odiar. Eu não tenho medo de vocês. Eu não odeio vocês. Eu nem sequer os conheço. Nenhum iraniano jamais me feriu. Iranianos: nós jamais bombardearemos seu país. Nós amamos vocês.”

Era uma mensagem claramente subversiva, pois contrariava de frente o governo. Enquanto Netanyahu & colegas clamavam que um Irã com bomba atômica ameaçaria Israel de destruição, o casal dizia que não tinha medo do Irã, tampouco o odiava e, portanto, uma guerra seria sem sentido.

Para surpresa deles, rapidamente, mais de mil iranianos e israelenses enviaram e-mails de apoio, dizendo que não queriam guerra de jeito nenhum. Que não havia motivos pra isso.

A estas alturas, não sei quantos israelenses e iranianos se manifestaram via Facebook, afirmando seu desejo de paz entre as duas nações. A edição do Haaretz (jornal israelense), que publicou esta história exemplar, é de uma semana atrás.

Infelizmente, duvido que Netanyahu desista de seus planos de destruir o Irã e sua capacidade de ombrear-se a Israel em poder militar. Tampouco Khamenei, Ahmadinejad e seus aiatolás considerarão a ideia de negociar um tratado de paz com os israelenses.

Ainda que sejam centenas de milhares ou mesmo milhões de aderentes às ideias do casal de israelenses, Netanyahu talvez desista da guerra se sofrer fortes pressões por parte dos EUA, da Europa e do seu próprio povo. E isso só poderia aconteceria se o Irã permitisse inspeções totais e permanentes de suas instalações nucleares.

Mas a iniciativa de Ronny e Michal ficará gravada como uma reação de cidadãos contra um estado que ignora seus justos desejos de paz, para buscar uma guerra que só interessa aos detentores do poder.

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