Irã e EUA do mesmo lado no Iraque.

Acredite se quiser: Irã e EUA, rivais no Oriente Médio, estão juntos no Iraque, defendendo o primeiro-ministro Maliki.

Durante a ocupação americana, Maliki soube equilibrar-se entre as duas forças.

Apoiou a luta do exército dos EUA, não só contra a Al Qaeda e os rebeldes sunitas, como também contra as milícias radicais xiitas, que combateram os americanos, inclusive em verdadeiras batalhas campais.

De outro lado, manteve boas relações com o Irã, xiita como ele, e não deixou de criticar Israel e seus assentamentos na Palestina.

Quando se discutiu a retirada das tropas americanas, Maliki continuou com um pé em cada canoa: aceitou a permanência de algumas forças dos EUA  para “treinamento”, mas exigiu que ficassem sob a jurisdição dos tribunais iraquianos, o que inviabilizou um acordo.

Neste ano, Maliki procedeu a uma série de ações tidas como despóticas pelo bloco formado por seculares e sunitas, inclusive ordenando a prisão e processo de seu principal líder.

Al Sadr, o líder dos xiitas radicais,  que integram a base aliada do governo, por sua vez, chamou Maliki de “ditador faminto por aplausos”, acusando-o de procurar adiar ou cancelar as próximas eleições”.

Com a entrada dos curdos a oposição ficou muito forte e a queda de Maliki tornou-se iminente.

Mas o governo Iraniano chamou Al Sadr, seu parceiro de longa data, a Teerã.

E ele voltou, com um novo discurso: ‘Nós dizemos, complete seu bom trabalho (Maliki) e anuncie sua resignação pelo bem do povo…e para o bem dos seus aliados.”

Aceitando, o primeiro ministro se afastaria por decisão própria, não por imposição dos adversários.

Seria uma saída honrosa para Maliki e para o bloco xiita radical que terá salvo o situacionismo de uma derrota e permitirá que indique o sucessor até as próximas eleições.

Para o Irã, uma ótima solução, pois mantém os xiitas no poder.

Para os EUA, depende do escolhido.

Se for um moderado, os americanos continuarão influindo no governo.

Se for alguém da facção de  Al Sadr, então a embaixada americana terá muito trabalho  para conter o predomínio iraniano nas decisões do governo.

 

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