Irã: acordo por pouco.

Depois da reunião dos P5+1 (EUA, China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha) com o Irã, em Genebra, o acordo nuclear avançou quilômetros.

Todos os participantes, tanto ocidentais, russos e chineses, quanto iranianos saíram felizes. Só a euforia não foi total porque, os EUA, em atenção ao seu furioso aliado Netanyahu, conteve-se. Embora demonstrando satisfação, não deixaram de notar que fora só o começo, muito mais ainda precisava ser discutido.

Na verdade, através das declarações off e on the records,  que saíram na imprensa mundial, dá para sentir que o “efeito Rouhani” mudou tudo: tanto entre os americanos, quanto  entre os próprios iranianos.

Onde outrora havia hostilidade, agora parece haver uma busca de entendimento.

De fato, ainda há algumas divergências.

Mas, a principal questão, o enriquecimento a 20%, que pode chegar rapidamente aos 90%,  suficientes para a produção de uma bomba nuclear, parece resolvida.

O Irã topa encerrar o enriquecimento nesse nível, limitando-o a apenas 5%, necessários para pesquisas em seus reatores e para a produção isótopos médicos, usados no tratamento do câncer.

O estoque existente de urânio enriquecido a 20% é suficiente para o suprimento das usinas de energia do país.

À entrega desse urânio para outro país, solicitada pelo Ocidente, o Irã oferece inspeções pela IAEA (Agência Internacional de Energia Atômica), além das prescritas no Tratado Internacional de Não-Proliferação das Armas Nucleares.

Inclusive, até mesmo inspeções de surpresa em qualquer local desejado, apenas 2 horas antes de se iniciarem.

Os aliados querem fechar a usina de Fordow (inacessível a bombardeios por estar instalada num subterrâneo rochoso).
O Irã se propõe a usá-la somente para pesquisas, não mais para enriquecimento de urânio, tudo sob fiscalização da IAEA, garantida pelas inspeções de surpresa.

A última controvérsia refere-se às sanções.

O Irã quer que sejam canceladas, ainda que pari passu, enquanto forem sendo implementadas suas concessões.

O Ocidente prefere as ir suavizando, mesmo porque, especialmente nos EUA, será uma batalha árdua convencer o Congresso a aceitar o acordo final.

Na verdade, o principal obstáculo à paz no Irã é mesmo o Congresso americano, fortemente influenciado por Israel e seus agentes nos EUA ( os mais poderosos  lobbies judaico – americanos).

Mas, por maior que seja sua força, será que os parlamentares americanos aceitarão que Israel vete um acordo que interessa a seu país?

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