Hollande navegando em águas turvas.

Depois de convencer a União Européia a punir a Rússia por suas ações na Ucrânia, os EUA voltaram–se para a França.

Ela havia contratado com os russos a construção de dois porta-helicópteros da classe Mistral, que representavam o “estado de arte” em engenharia naval, tal a concentração das mais avançadas tecnologias.

O primeiro, o Vladivostok, achava-se em fase adiantada.

O governo americano e cheerlanders europeus exigiram que o presidente Hollande se negasse a entregar essa fabulosa arma ao governo russo. Afinal, estávamos em guerra contra eles. Ainda que fosse uma guerra fria, guerra é guerra.

Nobremente, Hollande a princípio resistiu.

Contrato assinado tinha de ser respeitado, era a honra da França que estava em jogo. Além de 1,2 bilhões de euros já em grande partre embolsados pelo Champs Elysées.

O governo Obama não desistiu, seguiu pressionando.

E os franceses firmes na negativa.

Ainda no começo deste ano, Laurent Fabius, ministro do Exterior assegurou que o acordo franco-russo seria cumprido, pois se tratava de um  contrato legal.

E Jean Christophe Cambadelis, chefe do Partido Socialista (ao qual o presidente pertence),emocionado, talvez com os olhos cheios de lágrimas, proclamou: “ Hollande não recuará. Ele entregará o primeiro  (navio) apesar de estar sendo solicitado a não fazê-lo.”

Os dois estavam enganados.

A resistência de Hollande não era tão grande (longe, mas muito longe disso) e ele deu o dito por não dito. Suspendeu a entrega do Vladivostok, não haveria condições para isso devido a situação explosiva na Ucrânia.

Da direita à esquerda francesas choveram protestos.

“Vejo uma França que perdeu toda independência que tinha  ganho com o general De Gaulle e que tinha sido seguida por seus sucessores. François Hollande é um tipo de cãozinho de estimação dos americanos”, declarou o deputado Nicolas Dupont-Aignam, presidente do partido gaulista, Debout La France.

“No entanto, considero inaceitável que o contrato tenha sido congelado imediatamente antes da cúpula da OTAN, por causa do pedido do presidente dos EUA. A própria França deve decidir o que ela deve fazer, e não obedecer aos desejos e conselhos de outras partes”, afirmou Nicolas Sarkosy, ex-presidente do país.
O secretário nacional do Partido Comunista, Pierre Laurent, também sustentou a necessidade do contrato ser  respeitado.E explicou : ‘”O barco está pronto e é preciso lembrar que não terá nenhuma implicação direta no conflito ucraniano.”.

Thierry Mariani, deputado da UMP :”O que parecemos estar esquecendo em tudo isso é que temos um contrato com a Rússia. Neste caso, nós acima de tudo nos rendemos à pressão de nossos amigos americanos, poloneses e bálticos.”

Devemos também lembrar que a França já recebeu ¾ do 1,2 bilhão de euros pagos pelos russos.

Terá de devolvê-los e ainda pagar multas, se os russos exigirem o cumprimento das cláusulas do contrato, o que, aliás, é seu direito.

Nada conveniente pois,  como se sabe, a França passa por uma terrível crise.

Crescimento nulo, desemprego em alta, perspectivas econômicas sombrias.

Se Hollande tiver que desembolsar esse dinheirão, será uma forte dor de cabeça.

Mas, ele pode ser fraco, mas não deve ser burro.

Possivelmente já acertou com Obama uma compensação à altura do prejuízo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *