Governo afegão quer controlar milícia selvagem.

A “Polícia Local Afegã” (ALP) é uma milícia, criada pelo general Petraeus, quando comandava as forças americanas no Afeganistão, para combater os talibãs e garantir a segurança no interior do país.

Seus integrantes são remunerados, treinados e supervisionados pelo comando da OTAN.

Mas o feitiço virou contra o feiticeiro.

Grande parte, se não a maioria dos milicianos da ALP, tem cometidos uma série de delitos graves contra o próprio povo que eles deveriam proteger.

Um relatório da Human Rights Watch documenta assassinatos, estupros, prisões arbitrárias, sequestros, usurpação de terras e raids ilegais, realizados por grupos irregulares armados e a ALP, na província de Kunduz”.

A ALP foi também acusada  de “espancar adolescentes e martelar pregos no pé de um menino.”

Por sua vez, o Sunday Times (em 20/12/2010) narrou uma série de fatos graves na província de Baghan. Exemplo: “Em vez de estabilizar a área, Noor ul Haq (comandante local da ALP) e seus homens desestabilizaram Shabuddin”, denunciou o chefe do Conselho de Baghan.”Eles estão acima da lei. Eles sequestram ou matam quem vejam como ameaça a seu novo poder.”

Já o governador do distrito de Khanabad denunciou  que os grupos da ALP operam fora da lei. E disse mais: “Eles cobram taxas, levam embora as filhas das pessoas, fazem coisas contra as esposas das pessoas, eles roubam os cavalos delas e as ovelhas, qualquer coisa.”

E, vejam só: eles permanecem impunes.

O governo de Kabul pretende aproveitar a retirada das tropas da NATO, em 2014, para acabar com a farra dessa turma da pesada.

Para ele, quando o acordo americano-afegão fala em retirada de “todas as tropas”, significa que todas as tropas deixarão de atuar no Afeganistão, inclusive a ALP.

Já os militares americanos não concordam.

Eles acham que o acordo refere-se a “tropas de combate” não a “forças especiais” como a ALP, que continuaria financiada e controlada pela OTAN.

O presidente Karsai não admite essa interpretação pois receia a existência de grupos armados, independentes do governo central, que poderiam lhe criar muitos problemas.

Além disso, as eleições estão aí e eliminar as truculentas e impopulares milícias da ALP poderá render muitos votos a Karsai.

 

 

 

 

 

 

 

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