Gaza sob nova ameaça de guerra.

4 anos depois de bombardear e invadir GAZA, matando 1.400 pessoas, das quais pelo menos a metade eram civis pacíficos, inclusive mulheres e crianças, Israel ameaça repetir seu feito.

Para o governo, a ocasião é boa.

Estamos a 2 meses das eleições israelenses.

Como o povo culpa o Hamas pelo conflito recém-iniciado, uma invsasão israelense seria bem-vinda e renderia muitos votos ao Likud, o partido do premier Netanyahu.

Há indignação e raiva em Israel pelos 100 foguetes já lançados sobre seu território, ferindo 8 cidadãos, inclusive 4 soldados.

Ninguém lamenta os 7 palestinos mortos pelo fogo israelense- 2 combatentes e 5  civis  ,dos quais 3 eram crianças. Nem os 52 feridos, entre eles 6 mulheres e 12 crianças.

Isso porque, para o milhão de habitantes da região atingida pelos foguetes, quem começou tudo foram os palestinos de Gaza.

Mas a verdade é outra.

O primeiro tiro foi dado em 5 de novembro, quando forças israelenses mataram Ahmad  Nabhani, “que se aproximava da fronteira com Israel”. Dificilmente poderia ser um perigoso terrorista pois se tratava de um jovem deficiente mental.

De acordo com investigação do Palestinian Centre for Human Rights, em 8 de novembro, 8 tanques e 4 bulldozers do Exército Israelense de Ocupação (IOF) invadiram a aldeia de Abassan, no Sul da Faixa de Gaza, e abriram fogo indiscriminadamente.

E assim mataram Ahmed Abu Daqqa.

Ele tinha 13 anos e estava jogando futebol com amigos, em frente a sua casa, a 1.200 metros da área onde se localizava a unidade militar de Israel.

Somente depois destes dois ataques, no dia 10 de novembro, a Frente Popular pela Liberação da Palestina alvejou com um míssil anti-tanque um veículo israelense, ferindo 4 soldados.

O que provocou bombardeios de Israel sobre Gaza, atingindo, tanto alvos militares do Hamas e da Jihad Islâmica, quanto bairros residenciais.

E o conflito cresceu durante todo o fim de semana, com ambos os lados no ataque: os palestinos lançando foguetes e Israel bombardeando, através de aviões e tanques de guerra.

Como sempre, o povo de Gaza levou a pior.

HouVe mortes, muitos feridos, casas e oficinas destruídas.

Por sua vez, o sofrimento da população israelense da região próxima a Gaza consistiu basicamente no medo provocado pela chuva de foguetes, além de uns poucos danos em algumas construções.

Mas, como a imprensa e os políticos de Israel acusaram os militantes palestinos de serem os responsáveis pelo conflito, natural que o povo se voltasse contra os líderes de Gaza.

Por sua vez, a imprensa internacional, como sempre, pôs a culpa nos militantes palestinos.

Israel estaria apenas reagindo a ataques não provocados de foguetes lançados de Gaza, quando o contrário é que realmente aconteceu.

Como dizia Goebels, uma mentira repetida muitas vezes acaba virando verdade.

Desde a primeira guerra de Gaza, várias vezes já se repetiu uma situação como a que está sendo vivida agora.

Israel dando o primeiro tiro e os palestinos sendo inculpados.

Os chefões do Likud não perderam tempo em explorar politicamente o novo conflito com Gaza, fazendo-se intérpretes das emoções da população de Israel.

Em repetidas declarações acenaram com a possibilidade de um novo ataque contra Gaza.

Gideon As´ar, Ministro da Educação e aliado próximo de Netanyahu, declarou no dia 12: “Temos visto um crescimento da escalada na fronteira de Gaza… e precisamos por um fim nisto. Todos os preparativos para uma operação terrestre em grande escala estão sendo feitos. A menos que o fogo (de mísseis) pare, essa operação será lançada.”

Ehud Barak, o Ministro da Defesa, afirmou que ações contra o Hamas  “podem ser intensificadas e expandidas”.

E concluiu: ”Se formos forçados a voltar a Gaza a fim de vibrar um golpe no Hamas e restaurar a segurança para todos os cidadãos de Israel, nós não hesitaremos em fazê-lo.”

O Hamas, por sua vez, não tem interesse numa nova guerra.

O governo de Gaza apelou a Ban-Ki-moon, Secretário-Geral da ONU, para que pressionasse Israel a parar com seus ataques.

E, em 12 de novembro, o Hamas e a Jihad Islâmica, afirmaram que estão dispostos a estabelecer uma trégua desde que Israel “cesse sua agressão.”

Mas é problemático.

No mesmo dia, a Associated Press informou que as autoridades israelenses estudam uma reação pesada.

A tendência predominante parece ser a volta das execuções extra-legais de suspeitos de ações terroristas.

Isso vinha sendo feito durante anos anteriores, através de aviões e forças especiais que atacavam inimigos no interior dos territórios palestinos.

Diante dos protestos de todo o mundo contra uma ação que violava as leis internacionais, o governo de Telaviv optou por interromper as execuções.

Agora, pensa-se em reativá-las, caso se abandone a idéia de atacar Gaza novamente.

Só que, como o terrorismo deixou de ser a forma de luta do Hamas, será difícil encontrar suspeitos que se enquadrem nessa classificação.

O mais provável é que seria ampliado o alvo das execuções para incluir também líderes do Hamas, suspeitos ou não de planejarem atentados.

 

 

 

 

 

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