Equador: revolta sem povo.

Na última semana, em Guaiaquil e Quito, as principais cidades equatorianas, multidões saíram às ruas contra o presidente Correa.

Como em proterstos recentes no Brasil, parte das pessoas pedia a queda do governo. Mas o motivo principal, que unia os manifestantes, era a rejeição de duas leis propostas por Correa: a Lei para Redistribuição da Riqueza e a Lei da Plusvalia.

Nenhuma delas atingia a população pobre, por isso mesmo, ausente dos protestos.

Claro, somente as pessoas das classes alta e média- alta seriam prejudicadas.

A Lei de Redistribuição da Riqueza prevê um imposto gradativo sobre as heranças a partir de 34.500 dólares.

Entre 34.500 e 70.000 dólares o imposto seria de 2,5%; entre 70.000 e 140.000 iria para 7,5%; entre 140.000 e 283.000, para 17,5%; crescendo sempre até se chegar a heranças acima de 556.400 dólares, casos em que seria cobrado um imposto de 47,5%.

É fácil perceber que os pobres e a baixa classe média pouco sofreriam. Já para os ricos e a classe média alta, a Lei de Herança está longe de ser bem-vinda.

A outra lei, a Lei da Plusvalia, estabelece um imposto sobre os lucros extraordinários obtidos em transações imobiliárias, como aliás acontece no Brasil há muito tempo.

Aqui o universo dos atingidos deve ser maior: basta ter um imóvel para não gostar da idéia de pagar um imposto sobre o lucro numa eventual venda.

Os principais grupos empresariais e associações profissionais equatorianas protestam.  Garantem que “projetos de lei que criam novos impostos teriam um impacto negativo nas inversões, no comércio e na criação de empregos.”

O presidente Correa justifica as novas leis, afirmando que se destinam a reduzir as desigualdades no Equador, “um dos países mais desiguais do mundo.” Ele estaria atuando para buscar uma sociedade mais justa.

Para os opositores, ele estaria penalizando o sucesso e a geração de riquezas, sendo suas propostas praticamente confiscatórias.

Seja como for, talvez abalado pelo barulho das ruas, Corrêa retirou temporariamente suas leis.

E convocou um grande debate nacional “em especial sobre os projetos de lei e em geral sobre o tipo de país que queremos.”

 

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