Eleições no Paquistão ameaçam aliança com EUA. Será?

Imram Khan prometeu abater a tiros os drones americanos, que matam camponeses inocentes, caso seu partido, o PTI, vença as próximas eleições parlamentares.

Além disso, pretende sair da guerra contra o terror, fazendo um acordo de paz com os talibãs paquistaneses.

Por sua vez, Nawaz Sharif, líder do PML-N, principal partido oposicionista, anunciou que iria “reconsiderar” os laços tradicionais do Paquistão com os EUA.

Finalmente, o PPP, partido do presidente Zardari, tem criticado fortemente os ataques de drones na sua campanha eleitoral.

Aparentemente, o futuro da aliança dos americanos com o governo de Islamabad poderá durar só até 11 de maio, data das eleições.

Mas, não é bem assim.

Quando foi primeiro-ministro, Sharif tinha excelentes relações com o governo de Washington.

E Zardari, embora há alguns anos venha exigindo o fim dos bombardeios dos drones, nada fez para acabar com eles.

Apenas Imran Khan, ao que tudo indica, é sincero em suas promessas contrárias aos interesses militares americanos no Paquistão.

Todos os demais, representantes das duas principais forças políticas locais, tentam associar-se ao forte anti- americanismo do povo, com objetivos claramente eleitoreiros.

Segundo pesquisa da PEW, 74% da população consideram os EUA como inimigos.

4 em cada 5 paquistaneses acham que a ajuda econômica americana tem sido prejudicial ao país, sendo que 5 não tem opinião e só 1 acha que foi benéfica.

Quem vencer as eleições terá de enfrentar pressão popular, exigindo a saída do governo da órbita americana e sinal vermelho para os drones .

As pesquisas apontam uma vitória provável do oposicionista PML-N.

No entanto, para ter maioria no parlamento, vai precisar formar coalizão com outros partidos.

É provável que Imram Khan seja convidado a integrar a base aliada.

Apesar dos seus comícios arrastarem verdadeiras multidões, ele tem poucas chances de vencer pois seu partido não é organizado em todo o país.

E os dois adversários contam ainda com o apoio da maioria dos líderes locais, atraídos por empregos e vantagens financeiras.

Caso ele aceite participar do novo governo, é certo que a oposição à aliança com os EUA ganhará muita força.

Mas os 3 bilhões de dólares americanos em ajuda econômica e militar deverão pesar mais.

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