Eleições Irã: governo x governo.

As eleições parlamentares do Irã, não serão como as de 2009.

Os reformistas, cujos líderes estão em prisão domiciliar, não participam e convocaram o povo para um boicote.

Isso não quer dizer que não haverá disputa. Os grupos que apoiam o Presidente Ahmadinejad enfrentarão os partidários do Supremo Líder Khamenei.

Ahmadinejad, apesar de tudo, não defende explicitamente, mas representa uma vertente secularista e até relativamente progressista, favorável à redução da influência dos clérigos no governo da nação.

Khamenei e seus seguidores são profundamente conservadores, não querem mudar nada. Continuam desejando manter o Irã como uma república islâmica, liderada por aiatolás e outras figuras religiosas de menor hierarquia.

Acredito mais no partido de Ahmadinejad, que tem demonstrado alguma abertura em relação aos direitos da mulher e às liberdades de palavra e de imprensa. Nada parecido com o que existe, por exemplo, na Suíça ou mesmo no Brasil, mas bem melhor do que no regime da Arábia Saudita.

Acredita-se que, caso a vitória dos conservadores de Khamenei seja muito expressiva, o Supremo Líder possa dar o que chamaríamos de “golpe”, impedindo a posse dos candidatos adversários eleitos.

De uma certa maneira, é uma eleição com cartas marcadas. Mesmo que o partido pró-Khamenei perca, ele continuará como o Líder Supremo, é uma função vitalícia, com mais poderes do que o próprio presidente.

Embora o partido dos reformistas, os chamados “verdes”, tenha ficado fora do pleito, alguns dos seus membros, mais pragmáticos, decidiram concorrer.

Para o regime, é muito importante um comparecimento maciço para demonstrar ao mundo o apoio dos iranianos aos seus governantes.

 

 

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