Drones: os números mentem.

Segundo as estatísticas, os fanáticos do Taliban e da al Qaeda parecem ter o dom da ressurreição.

A Reprieve, respeitada organização de direitos humanos inglesa, pesquisou as listas de suspeitos de terrorismo mortos por  drones no Paquistão e no Yemen, publicadas pelos jornais entre novembro de 2002 e agosto de 2014. Muitas destas listas baseavam-se em fontes oficiais.

Verificou que cada terrorista suspeito morria em média 3 vezes, sendo que um deles foi dado como morto 7 vezes.

Três explicações parecem possíveis: 1) O pessoal de comunicação da CIA vai nomeando vitimas distraidamente sem reparar que está repetindo nomes;  2) Eles se atrapalham com os nomes complicados; 3) Os suspeitos paquistanis e iemenitas são verdadeiros super-heróis (ou super-vilões), homens de ferro, que caem aparentemente mortos e se levantam, precisando serem atingidos por vários drones antes de morrerem.

Retificando essas inexatidões, o Reprieve contou cerca de 1.147 pessoas não identificadas– homens, mulheres e crianças – mortas nos ataques.

E concluiu que os drones tão prezados pelo presidente Obama matam 28 pessoas não identificadas (culpadas ou não) para cada terrorista identificado.

Que os drones são devastadores, não há dúvida alguma, pelo menos nas regiões do Waziristão, que eles costumam freqüentar mais.

Não são nada bem-vindos, de medo deles as pessoas evitam se reunir para bater papo ou participar de uma festa e as mães não deixam os filhos irem à escola.

Mesmo nos EUA, o povo, a princípio receptivo, agora mudou de opinião.

Veja o que diz a pesquisa do The Huffington Post/You Gov, abaixo:

54% aprovaram o uso de drones para matar terroristas de alto nível no exterior.

Mas, se inocentes podem acabar sendo mortos junto com os culpados, a coisa muda.

A posição do povo é contrária aos drones nesse caso, por 42%, diante de 29% a favor.

O presidente Barack Obama, se quisesse, teria respaldo popular para parar de atirar drones.

É verdade que teria de encarar o Pentágono, a CIA e os belicosos senadores do chamado war party.

Chances de vencer certamente haveria, pois numa democracia o povo é sempre quem manda.

Ou não?

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