Derrubar casas não compensa.

Uma empresa americana, a MSCI, acaba de retirar a Caterpillar de três dos seus índices que relacionam empresas socialmente responsáveis.

O motivo foi o uso de tratores da companhia na destruição de casas de palestinos por militares israelenses.

Com o objetivo de reduzir ao máximo a população de palestinos de Jerusalem, Israel vem derrubando os imóveis deles, sob os mais diversos pretextos.

A decisão da MSCI já atingiu o TIAA-CREF, um fundo mútuo americano gigantesco, que removeu ações da Caterpillar, totalizando 72 milhões de dólares do seu fundo de “Opção Social”.

Foi mais uma vitória da campanha “Boicote Israel”, iniciada em 2005, que propunha o boicote de empresas, produtos, serviços e contatos culturais com Israel, enquanto não fosse interrompida a criação de novos assentamentos e  instituído um estado palestino independente, nos limites de 1967.

Muitas entidades apoiaram o boicote, como a Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana (EUA), o Conselho Mundial das Igrejas e a União dos Trabalhadores da Irlanda. O governo belga proibiu a venda de armas a Israel. E a Olympia Food Corporation (EUA) deixou de trabalhar com produtos israelenses.

O boicote aos bens produzidos nos assentamentos foi aprovado pela União dos Jornalistas da Inglaterra e pela Igreja Metodista desse país.

 O desinvestimento foi defendido pelo Sínodo da Igreja da Inglaterra e pelo Conselho Regional da província de Trondelag (Noruega).

 E artistas como Elvis Costello, Meg Ryan e Santana cancelaram suas apresentações em Israel.

O boicote vem se expandindo ano após ano. No princípio, o governo de Telaviv não se preocupou, mas, mais recentemente, parece que as coisas mudaram.
 Numa demonstração de que o boicote estava tirando o sono de Nethanyau, o Knesset (Congresso de Israel), em 11 de julho de 2011, aprovou uma lei que criminaliza pessoas ou instituições israelenses que se pronunciassem publicamente a favor do boicote. Essa lei dispõe ainda que qualquer pessoa ou empresa de Israel ou dos assentamentos que se sentir prejudicada por declarações pró-boicote poderá processar o autor, pedindo indenizações, sem precisar provar os danos.

A lei anti-boicote foi considerada anti-democrática  e condenada pelas entidades israelenses de defesa dos direitos humanos como séria violação do direito de expressão. E a organização Paz Agora, pela primeira vez, declarou-se favorável ao boicote dos produtos dos assentamentos. A Anistia Internacional, diversos membros do parlamento europeu e até o New York Times (normalmente favorável a Israel) condenaram a lei anti-boicote como contrária aos princípios democráticos.  

O boicote é uma das ações indicadas por Marwan Barghouti, o mais respeitado líder palestino, como parte da sua proposta de resistência pacífica.

Como a violência não deu certo, parece que é o caminho que os palestinos devem seguir,  pois (parafraseando Obama nas ameaças ao Irã) é a única solução que ainda resta sobre a mesa.

 

 

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *