Curdos contra rebeldes na guerra síria.

Novas dores de cabeça para a insurgência síria.

A população curda vive no nordeste da Síria, onde luta para obter uma semi-autonomia, como prelúdio de um processo para unir as regiões dessa etnia da Turquia, Iraque, Irã e da própria Síria, num futuro estado curdo.

Até agora  não tinha tomado partido na guerra civil.

Isso mudou.

O braço armado do Supremo Comitê Curdo acaba de convocar todos os cidadãos válidos de sua etnia para uma guerra total contra os grupos jihadistas anti-Assad.

Ora, esses grupos, muitos deles ligados à Al-Qaeda, como a  al-Nussra, estão entre as mais aguerridas e eficientes forças que lutam para derrubar o regime.

Já tinha havido combates entre os dois lados, com dezenas de baixas e centenas de prisões. Somente o Nussra fez 200 civis curdos de reféns, tendo os curdos perdido  várias cidades para seus rivais.

As hostilidades cresceram com o assassinato do líder Hito, pela al-Nussra.

Fazer as pazes fica difícil, pois o controle da região curda é vital para os rebeldes anti-Assad. Produtora de petróleo, essa região lhes vem fornecendo importantes recursos financeiros.

Há ainda outro grande obstáculo: o comando do exercito rebelde não controla os bandos jihadistas, pouco interessados num acordo com a liderança curda.

O diversionismo que ocorre, com tropas jihadistas saindo do teatro da guerra contra Assad para ir enfrentar os curdos, enfraquece o poder de fogo das forças rebeldes.

Isso vem num momento em que o governo está na ofensiva, tomando cidades importantes.

Talvez por isso, Jarba, o presidente recentemente eleito da Coalizão Nacional Síria, a mais importante frente de oposição, finalmente aceitou negociar com os representantes de Damasco um programa para a pacificação do país.

Em reunião com John Kerry, que também defende  a ideia, alegou, porém, que Assad teria de aceitar algumas pré-condições: libertação dos prisioneiros, fim dos ataques aéreos, lançamentos de mísseis e uso de artilharia.

Seria necessário para provar a seus liderados que a reunião de negociações já começaria trazendo vantagens positivas à rebelião.

Kerry perguntou, então, ironicamente, o que eles ofereceriam em troca, já que a Coalizão não tinha poder sobre os belicosos grupos jihadistas, duros opositores de qualquer compromisso.

Em seguida ponderou que declarando-se disposta a negociar, a insurgência poria Assad na defensiva e o obrigaria a também topar e até demonstrar boa vontade.

Abre-se assim uma esperança de solução de uma guerra que envergonha a comunidade internacional.

Ela se demonstrou incompetente para evitar a morte de mais de 100 mil sírios, a expulsão de milhões de pessoas de seus lares e a destruição da Siria.

Nessa luta dominada pelo ódio, a Comissão de Direitos Humanos da ONU denunciou coisas terríveis como torturas sistemáticas, execuções extrajudiciais, degolamentos, estupros e bombardeios de civis de responsabilidade dos dois lados, usando as armas que os Estados Unidos, Arábia Saudita, Irã, Rússia e Qatar forneceram para cometer esses crimes.

Talvez agora, conscientes dos terríveis males que ajudaram a causar, esses países deixem de lado seus interesses e procurem, de forma construtiva, um caminho que liberte os sírios desse cataclisma.

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