Corrupção pode derrubar Netanyahu.

Depois de 12 anos governando Israel, Netanyahu está seriamente ameaçado de cair do cavalo.

O motivo é o mesmo que está fazendo estragos na política brasileira: corrupção.

Na semana passada, a polícia israelense pediu ao procurador geral do país o indiciamento do premier por chantagem, fraude e quebra de confiança.

Segundo a investigação, Netanyahu andou pisando na bola, não em um, mas em dois casos de corrupção.

E ainda está pintando mais um terceiro, em análise final pelas autoridades policiais.

No primeiro caso, o líder do Likud e sua esposa, Sara, estão envolvidos até o pescoço.

Eles receberam presentes no valor de 300 mil dólares de alguns magnatas, inclusive o israelense Arnon Mitchun, produtor de filmes em Hollywood, como ”Uma Linda Mulher”, “The Ravenant” e “Gone Girl”e o bilionário australiano James Packer.

Foram vestidos, joias e ainda caríssimos charutos e caixas de champagne, em quantidade e qualidade de causar inveja a um príncipe saudita.

Retribuindo a gentileza, Netanyahu teria pressionado pela aprovação de lei que isentava do pagamento de impostos durante 10 anos os israelenses que voltassem do exterior para viver em Israel.

Quanto a Packer não foi, certamente, por gostar dos sorrisos do casal que ele o cumulou várias vezes de generosas e dispendiosas dádivas.

O segundo caso me parece mais cabeludo.

O Hayom é o jornal mais lido de Israel. Pertence ao magnata do jogo de Las Vegas, Sheldon Adelson, amigo fraternal de Netanyahu, e apoia o premier de olhos fechados.

De outro lado, críticas a ele não paravam de aparecer no jornal número 2 do país, o Yedoth.

Agora veja a armação que Netanyahu urdiu.

Ele se dispôs a conseguir que o Hayom cortasse seu suplemento dominical, justamente uma das partes mais lidas do jornal. Com isso, muitos leitores deixariam de lê-lo, emigrando para o Yeddoth, que assim se tornaria o jornal número 1 de Israel.

Em troca, o jornal passaria a rasgar constantes elogios às políticas do governo.

Moses topou, é claro.

Infelizmente, Sheldon, não.

Amigos, amigos – negócios à parte…

E mais infelizmente ainda, conversas entre Aron Moses e o primeiro-ministro foram gravadas num smart-phone pelo seu assistente, Ari Harow.

Posteriormente, Harow deixou seu emprego público para dedicar-se a outras atividades.

Aí, deu azar.

Preso pelo Esquadrão Nacional Anti-Fraude, sob suspeita de ter trabalhado no governo como lobista em favor de empresas privadas, Harow afinou. Para evitar pegar uma longa sentença, o antigo homem de confiança do premier topou fazer uma delação premiada.

Por uma pena branda, prestação de serviços comunitários e multa de 193 mil dólares, ele entregou aos agentes seu smart-phone com uma gravação de diálogos entre Netanyahu e Moses altamente comprometedores.

E ainda topou testemunhar contra seu ex-chefe, narrando tudo que sabia sobre as tentativas de Netanyahu para convencer Sheldon Adelson a agir contra seu próprio jornal.

A polícia ainda investiga outros dois casos que poderão colocar Netanyahu e até sua esposa, Sarah, em situação desconfortável.

Quando acumulava o ministério das Comunicações com a chefia do governo, o primeiro-ministro demitiu Avi Berger do cargo de diretor geral desse ministério.

Berger batalhava por reformas incômodas para a Bezeq, gigante ds telecomunicações. Seu substituto, nomeado por Netanyahu, foi um certo Shlomo Filber.

Posteriormente, Shlomo saiu do ministério. Antes, porém, ele, em conluio com Nir Hefetz, porta-voz do governo, foram responsáveis pela criação de regulamentos que produziram milhões de dólares para a poderosa telecom.

O destino bateu à sua porta na forma de agentes policiais que vieram prendê-lo pelas ações que deram tanta alegria aos donos da Beseq.

Mas, e Netanyahu com isso?

Sabe-se que, graças à empresa, o Wall! – site de notícias de grande penetração popular- passou a cantar em prosa e verso as qualidades do sr. e sra. Netanyahu.

Pesam ainda mais suspeitas sobre o prestimoso Shlomo.  Ele teria entregue à Bezeq documentos confidenciais e outras informações que a beneficiaram.

Complicando a história, Shaoul Elovitvh, maior detentor de ações da Beseq é amigo de família do primeiro-ministro israelense.

Shlomo, Hefetz e Elovitch, este acompanhado por sua mulher e filhos, já se encontram presos.

Contudo, não há no caso indícios claros contra Netanyahu de prática de atos de corrupção. No entanto, o fato dele ter demitido um funcionário que perturbava vida (e os lucros) da Bezeq, seguido da sua substituição por outro, que fazia o jogo da empresa, dá o que pensar.

Os investigadores tem insistido para que  Shlomo resolva abrir a boca. Há boatos de que ele já teria firmado um acordo de delação premiada, embora autoridades policiais neguem.

Finalmente, resta mais um fantasma assombrando o lar dos Netanyahu. Este paira sobre a esposa, Sara.

A polícia acusa Nir Hefetz (o porta-voz do governo) de, em 2015, ter, através de um intermediário, oferecido ajuda do Palácio a um juiz para conseguir sua nomeação a procurador-geral. Bastaria apenas que ele usasse sua posição para bloquear quaisquer procedimentos contra   madame Netanyahu.

As autoridades policiais não encontraram motivos suficientes para pedir o indiciamento da primeira dama de Israel.

Em setembro, o atual procurador-geral Abichai Mandelblit havia informado que estava estudando se deveria fazer algo assim. Porém em um caso diferente: uso de fundos estatais, somando 100 mil dólares, para pagar jantares pessoais e serviços de bufê. O que seria considerado fraude.

Não, sei se Mandelblit desistiu ou ainda está avaliando se vale à pena ir em frente.

Bem, como diziam no Velho Oeste, onde há uma fumaça, há índios.

Seja como for, cheira mal a existência de tantas e tão diversas acusações.

Se o procurador-geral aceitar a recomendação da Polícia pelo indiciamento, instaura-se um processo (ou mais de um) criminal. O que pegaria muito mal junto à opinião pública.

Mas, mesmo condenado pelo tribunal, Netanyahu disporia de muitos recursos para se defender.

Dando tudo errado para ele, será necessário ainda a aprovação do Knesset (Congresso) para ser decretado o impeachment. O que, mantida a atual proporção de parlamentares favoráveis, dificilmente acontecerá.

É possível que, optando o procurador geral pelo indiciamento, partidos da base do governo se retirariam, ameaçando a sobrevivência do governo Netanyahu.

Naftali Bennet, líder do “Lar Judeu”, declarou confiar na integridade do premier. No entanto, caso a Justiça se volte contra ele, insinuou que as coisas poderiam mudar.

É verdade que no caso do assustador indiciamento, o jornal Haaretz admite ser possível que Moshe Kalon, ministro das Finanças, também dê o fora, levando consigo os 10 parlamentares do seu partido, o Kulagu. O que deixaria o governo atual em minoria, provocando sua queda e a antecipação das eleições

Mesmo que um desses dois partidos abandone a barca do governo, talvez nem assim ela afunde. O Partido Trabalhista, tradicional força de centro-esquerda, pode salvar Netanyahu, ingressando na coalisão governante.

Seu novo líder empurrou o partido para a direita, reusando quaisquer alianças com os partidos árabes e tomando posições duras em relação aos palestinos.

Claro, todas estas movimentações só se processarão havendo muita gente nas ruas, pedindo a saída de Netanhyau.”

Os três partidos costumam ser pragmáticos.

Em dezembro do ano passado, dois meses antes da investigação policial colocar Netanyahu contra a parede, resultados de pesquisa Hadashot TV não eram nada bons para o primeiro-ministro.

60% dos entrevistados o queriam ver pelas costas, caso a polícia recomendasse seu processamento por chantagem.

Em agosto de 2017, o Times of Israel informava que, em pesquisa do Canal 10, só um terço dos respondentes considerava o premier inocente das acusações já conhecidas.

Há quem diga que Netanyahu poderia lançar uma guerra contra o Líbano para desviar a atenção da opinião pública.

Há precedentes históricos.

Clinton já fez algo semelhante quando mandou bombardear uma fábrica de desodorantes para o povo americano se esquecer de seus deslizes amorosos nos jardins da Casa Branca.

 

 

 

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