Com Netanyahu, as demolições aumentam.

No governo Netanyahu, está cada vez mais forte a onda de demolições de casas de palestinos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Em 2014, foram demolidas 591 unidades, deixando mais 1.177 pessoas sem teto, conforme o Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários. Trata-se do maior número de demolições desde  2008.

Estas ações, totalmente extra-judiciais, continuam em ritmo acentuado em 2015. Somente em janeiro deste ano, 77 residências de propriedade de palestinos já foram destruídas. 110 pessoas, metade crianças, estão agora ao relento, sofrendo a dureza do frígido inverno da região..

Sobre este problema, James W. Rawley, representante da ONU, declarou: “Demolições que resultam em evicção forçada e desalojamento vão contra  as obrigações de Israel para com a lei internacional e criam desnecessários sofrimentos e tensões.”

De fato, a Quarta Convenção de Genebra dispõe no artigo 53 que: ”Qualquer destruição pelo poder ocupante de propriedades individuais ou reais, pertencentes a pessoas ou coletividades…é proibida, a não ser quando tais destruições são absolutamente necessárias às operações militares.”

Para o Comitê Israelense Contra Demolição de Casas (ICAHD), essas demolições tem como objetivo a limpeza étnica. Expulsar o maior número possível de árabes das suas terras ou casas em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, substituindo-os por colonos judeus. Acusação séria, pois limpeza étnica é crime de guerra que, num passado recente, condenou sérvios e croatas, e, há algumas dezenas de anos atrás, nazistas alemães.

O governo Netanyahu rejeita esta acusação. Mas, o ICAHD, mantém sua posição. Afirma que, na Cisjordânia e Jerusalém Oriental é quase impossível um palestino obter permissão para construir. Enquanto isso, nas mesmas regiões, estão sendo constantemente desenvolvidos projetos residenciais para judeus.

Amira Hass escreve no jornal israelense Haaretz :”Israel não permite construções de palestinos para atender ao crescimento natural da população e não permite que centenas de comunidades com cerca de 300 mil habitantes, sejam ligadas à infra-estrutura (serviços públicos).”

Ela diz que essa situação obriga os palestinos a seguirem uma destas opções:

(a) viver em habitações superlotadas , em condições miseráveis;
(b) mudar para áreas afastadas da Cisjordânia, o que é difícil e muito caro;
(c) construir sem permissão.

 

 

 

 

 

 

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