Com Lieberman no governo, nem os ingênuos tem esperanças de paz.

Extrema violência contra os protestos e os suspeitos de ataques a israelenses; mortes de civis e execuções sem julgamento vem marcando a ação repressora dos soldados de Israel contra  palestinos.

Generais israelenses de alta patente protestaram contra o endosso oficial a essas práticas e exigiram o fiel cumprimento dos códigos militares.

Yalom, o ministro da Defesa, fez causa comum com eles.

Netanyahu tomou como uma repreensão a ele. E era mesmo.

Talvez irritado, temendo um voto de desconfiança capaz de derrotar sua precária maioria parlamentar, o premier acenou com um convite a Herzog, o líder da oposição, para um cargo de ministro, o que tornaria seu ministério menos radical de direita.

Herzog, que é membro do Labor, partido que integra a União Sionista, até que gostou da ideia, embora sofresse a oposição de grande parte dos seus liderados, refratários à participação num governo com as posições extremistas do atual.

Herzog procurou acalmá-los, afirmando que condicionaria sua adesão a uma imediata reunião com os palestinos, visando resolver o problema da independência palestina de forma justa.

Protestos gerais nas hostes de Netanyahu.

E, na hora de bater o martelo, Netanyahu roeu a corda.

Acabou saindo do céu para o inferno.

Saiu de uma possível aliança com o centro-esquerda de Herzog, para uma opção de ultra direita, convidando o notório Avigdor Lieberman para o ministério da Defesa. E numa simples jogada, livrou-se do incômodo ministro Yalon, que apoiava os generais, defendendo respeito aos direitos humanos na repressão.

Com isso, reafirmou sua posição contrária à proposta da França de conferência internacional multilateral para discutir a independência da Palestina, já que Lieberman é um ardente inimigo dessa ideia.

Que eu saiba ele nunca imitou o general Sheridan no seu famoso “índio bom é índio morto”. Limitou-se a propor medidas para expulsar os árabes palestinos de Israel, execuções em massa de terroristas, expansão desenfreada dos assentamentos e outras coisas desse tipo.

Os palestinos protestaram afirmando que, com Lieberman, a paz que já era extremamente difícil, tornou-se impossível.

O ministro palestino do Exterior lembrou que a entrada de Lieberman e dos ultra do seu partido no governo, significa que a Autoridade Palestina não tem mais nenhum parceiro para discutir a independência do seu povo.

De acordo com ele, Lieberman no governo é uma mensagem do mundo de que Israel prefere o extremismo, a ocupação e os assentamentos a um acordo de paz.

Mensagem aliás desnecessária já que somente os ingênuos podem acreditar que Netanyahu se interessa pela paz na Palestina, a não ser nos termos inaceitáveis a que o presidente Obama se referiu meses atrás em entrevista à Tv de Israel.

Ironicamente, a decisão do premier israelense fortaleceu a proposta francesa.

Como diz bem, o ministro palestino, comentando a preferencia por Lieberman e seus ultras: “Portanto, o mundo precisa parar de repreender e tomar a iniciativa que levará Israel para um acordo”.

É exatamente o que a proposta francesa objetiva.

No início de junho fará realizar em Paris uma conferência dos ministros do Exterior de 20 países, sem a presença dos dois em conflito na Palestina.

Eles deverão traçar os pontos básicos que, em seguida, nortearão, palestinos e israelenses para definir os detalhes do acordo que criará o Estado da Palestina, independente e viável, e garantirá a segurança de Israel.

A bola, portanto, passará para a comunidade internacional.

Espera-se que os EUA desta vez não apelem para o jogo bruto do veto.

Depois da nomeação de Lieberman, Obama terá argumentos suficientes para convencer ao menos os partidários de Israel no Senado e na Casa dos Representantes cuja cabeça sirva para pensar..

Sim, porque ele já se definiu através de John Kerry, seu secretário de Estado, como simpático à ideia.

Quando setembro vier, a Palestina pode começar a ficar livre.

Mas tem um prazo de três meses para esse autêntico processo de paz chegar a um final feliz.

Nessa ocasião se proclamará o sucessor de Barack Obama.

Depois disso, aí vem Hillary Clinton ou Donald Trump, com uma faca entre os dentes, prontos para destruir tudo em favor da ultra direita de Israel- Netanyahu e Lieberman no comando.

 

 

 

 

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