Braço de ferro entre Obama e Karsai.

O “Tratado Bilateral de Segurança”, para regulamentar a permanência no Afeganistão de 8 a 10 mil soldados americanos, após a retirada do grosso das tropas, continua em discussão.

Durante dois anos o presidente Karsai recusava-se a assinar enquanto não fossem atendidas duas exigências:

1-O pessoal americano ficaria submetido às leis afegãs;

2-As forças especiais americanas acabariam com as operações noturnas, invadindo lares pacíficos em busca de suspeitos. Que resultavam na prisão provisória de muitos inocentes e até em combates com mortos e feridos civis.

Por fim, ele acabou aceitando que os americanos no Afeganistão fossem julgados pela justiça dos EUA e as operações especiais continuassem porem só em raras ocasiões e assim mesmo sob autorização e supervisão de autoridades do país.

Nem bem o pessoal da Casa Branca tinha começado a respirar aliviado, Karsai mudou de idéia. Voltou a insistir no fim das operações especiais.

E veio com novidades.

Só toparia o tratado bilateral se fossem libertados todos os 17 afegãos presos em Guantánamo.

Talvez até deixasse a assinatura para o novo presidente, a ser eleito em abril.

Obama reagiu afirmando que as operações especiais eram necessárias para combater os talibãs e que a liberação indiscriminada de todos os afegãos iria complicar seus planos para a soltura gradual dos presos.

Quanto a adiar a assinatura para depois da eleição, nada feito.

A retirada era uma operação complexa. Só poderia ser iniciada depois das eleições, em  abril. E dependendo do aceite do novo presidente.

Sobraria pouco tempo para planejar e executar o transporte de todos os contingentes e seus equipamentos para fora do Afeganistão até a data limite de dezembro de 2014.

Portanto, se Karsai não assinasse sem mais conversas e logo, Obama detonaria a “opção zero”, ou seja, a retirada total das tropas.

Não ficaria nem um americano no país.

Susan Rice, enviada por Obama ao Afeganistão, informou que, nesse caso, o país poderia dizer adeus aos 4 bilhões de dólares prometidos para equipar seu novo exército.

E as cartas estão na mesa.

Cada presidente acha que o outro está blefando.

Karsai pensa que Obama jamais sairá totalmente do Afeganistão pois aí o Talibã rapidamente tomaria o poder e os EUA ganhariam mais um país inimigo no Oriente Médio. Sem falar na perda das grandes jazidas de petróleo que dizem existir no Afeganistão.

Por sua vez, Obama sabe que Karsai não pode ficar sem as tropas americanas para conseguir defender seu país dos talibãs. Sem falar nos 4 bilhões de dólares que não mais viriam para o exército.

Obama precisa resolver esse assunto logo.

Karsai não tem pressa. Para ele é importante, nestes tempos eleitorais, aparecer perante o povo como seu protetor contra as operações especiais americanas, temidas e odiadas pelos afegãos, que não agüentam mais viver sob o risco de serem acordados no meio da noite por soldados armados, arrombando suas casas.

De olho nas chances do seu candidato (ele não pode se reeleger mais), Karsai quer também conseguir dos americanos a promessa de não se intrometerem nas eleições.

Como Rice já lhe deu sinal verde, ninguém duvida de  que o presidente afegão vai usar todos os recursos leais e ilegais (principalmente) para seu grupo vencer.

Se perder, é certo que será processado por corrupção pelo provável opositor mais bem colocado nas pesquisas.

O que dá a Karsai sólidos motivos para deixar Obama ganhar o braço de ferro.

Já que é para o bem dele, Karsai assina.

 

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