Bahrein: até os EUA condenam.

O Bahrein é uma monarquia, que governa um país de maioria xiita, rico em petróleo.

Desde 2011, a Primavera Árabe tenta deitar raízes lá, por enquanto sem sucesso.

Os xiitas e parte da minoria sunita vem promovendo uma série de manifestações de massa violentamente reprimidas pelos órgãos de segurança.

Eles pedem o fim das discriminações sofridas pelos xiitas e reformas democráticas.

A Anistia Internacional e o Human Rights Watch cansaram de denunciar torturas, prisões arbitrárias e condenações em julgamentos altamente facciosos. Até médicos pegaram penas de prisão simplesmente por terem tratado manifestantes feridos.

Os EUA limitaram-se a pedir moderação às partes e que o governo real contivesse a brutalidade dos seus policiais. Não queriam ir além disso pois a esquadra americana no Golfo Pérsico está baseada no Bahrein.

O governo local prometeu tomar providências para controlar as forças de segurança e implementar algumas recomendações feitas por uma comissão independente. Mas não passou das promessas.

Sem apresentar qualquer motivo, o governo real adiou duas vezes a vinda ao país de Juan Mendez, incumbido pela ONU de investigar a situação dos direitos humanos no país.

Depois do segundo adiamento, Mendez comentou que, aparentemente, “existe algo que eles querem esconder.”

Diante de tudo isso, os EUA acabaram saindo de sua postura ambígua e emitiram neste mês uma clara condenação das violências e ilegalidades no Bahrein.

No seu relatório anual sobre direitos humanos, o Departamento de Estado aponta graves problemas de direitos humanos, incluindo a detenção e prisão de manifestantes- através de acusações vagas, torturas e a ausência do devido processo no julgamento de militantes, médicos e estudantes.

Indignado com esta “traição” do seu bom amigo, o ministro de Informação bahreinita qualificou o documento americano como carente de objetividade.

Resta saber se o governo Obama vai achar que já extrapolou ao fazer suas críticas.

Ou se tomará alguma atitude, como por exemplo, parar de fornecer armas para o governo real usar contra o povo.

 

 

 

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