Bahrein: a violência continua.

Em todo o ano passado, o povo do Bahrein saiu às ruas exigindo democracia e protestando contra a discriminação da maioria xiita (70% da população).

O governo reprimiu com violência, apesar das manifestações serem pacíficas.

Chegou a trazer 1.500 soldados da Arábia Saudita, equipados com carros de combate e tanques de guerra, que mataram e feriram muita gente.

Particularmente chocante foi a prisão, tortura e processo de médicos pelo “crime” de atender manifestantes feridos.

Depois das pressões da comunidade internacional, o governo despótico do rei local convocou uma comissão para discutir a reforma da constituição e prometeu acabar com as violências.

Duvida-se da eficácia destas reformas uma vez que a oposição, a quem foi oferecido um número mínimo de representantes, retirou-se da comissão. Não se pode esperar muito de uma reforma realizada por personagens maciçamente  pró-governo…

Quanto ao apregoado fim das violências, o que se nota é que o exército e a polícia seguem torturando, espancando e usando gás lacrimogêneo à vontade.

Informa a Anistia Internacional: “As autoridades estão tentando apresentar a nação como estando no caminho das reformas, mas continuamos recebendo informações de torturas e uso de força desnecessária e excessiva contra os protestos.”

Neste domingo, Bahrein estará nas TVs de todo o mundo com a transmissão do Grande Prêmio de Fórmula 1.

A esse respeito, diz a Human Righs Watch: “A corrida é parte de uma campanha de relações públicas para limpar a imagem do Bahrein, maculada por uma brutal repressão de manifestantes pró-democracia, no ano passado. Mas, o governo do Bahrein falhou na implementação de reformas-chave. Manifestantes condenados a longas penas de prisão em cortes militares por ‘crimes ‘de expressão de idéias e reuniões pacíficas não foram libertados e nenhum funcionário da segurança está sendo investigado por torturas. Protestos contra o governo se intensificaram nas últimas semanas, pedindo o cancelamento da corrida e a liberdade dos líderes das manifestações que estão encarcerados. A Human Rights Watch, recentemente, falou com Nada Dhaif, um médico do Bahrein, que foi sentenciado a 15 anos de prisão.”.

Há possibilidades de que os conflitos evoluam para uma autêntica guerra civil, pois os manifestantes começam a reagir alvejando as forças de segurança com coquetéis Molotov e pedras.

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