As sanções anti-Irã continuam.

Khamenei, o Supremo Líder do Irã, mais uma vez estrilou.

Os EUA continuam segurando sanções que deveriam sair há meses.

E tinha razão.

Tanto é que autoridades européias concordaram com ele. As conseqüências da inércia americana estão atrapalhando transações do Velho Continente com Teerã. Os bancos da  Europa estão inseguros, tem dúvidas sobre se a continuação das sanções americanas não lhes permitiria certo tipo de transações com o Irã. Temem serem penalizados pelo Tesouro  de Washington.

John Kerry, o secretário de Estado dos EUA, apressou-se em tentar acomodar as coisas. Admitiu que dos 55 bilhões de dólares em ativos congelados em bancos do estrangeiro, o Irã até agora só teve acesso a três bilhões.

Porque os EUA não resolvem logo esse problema?

É o que diz o governo de Teerã, que não pára de solicitar a Obama que remova os obstáculos do setor bancário.

Bem que ele gostaria, mas o Irã continua na lista dos países que apóiam o terrorismo e praticam violências contra os direitos humanos. E o presidente americano hesita em retirar o país dos aiatolás dessa relação sombria com quem os bancos dos EUA não podem fazer negócios, direta ou indiretamente.

Se ele tomasse essa atitude, já pensou no barulho que os políticos partidários de Israel fariam (são inúmeros)? E as emissoras de Tv da Rede Fox? E os pastores radiofônicos, associações religiosas cristãs pró-Israel e agrupamentos de direita espalhados pelo território americano?

Todos eles viriam com um argumento difícil de rebater: o Irã ajuda com armas o Hisbolá, considerado terrorista pelos EUA. Portanto, merece ocupar um lugar na lista negra.

Quanto a infrações dos direitos humanos, provavelmente não tocariam nesse assunto.

Afinal existe um sem número de países amigos renitentes em ações deste tipo – Egito, Israel, Arábia Saudita, Nigéria, Bahrein, Turquia, Paquistão, entre outros- todos eles gozando dos favores de Tio Sam.

Numa situação assim, Obama poderia sacar Teerã da lista negra usando uma destas alegações : 1- Atualmente o Irã ajuda o Hisbolá no máximo vendendo seus famosos tapetes a preços especiais; 2- Esse movimento deixou o terrorismo há tempos.

De qualquer modo, Israel protestaria com todo o seu poder nos EUA e não pegaria bem  na maioria do povo americano, o que seria desastroso para Obama considerando que teremos eleições presidenciais daqui a uns poucos meses.

Por outro lado, convém lembrar que Pacta sunt servanda (“Os  pactos tem de ser respeitados”) é uma norma de direito internacional universalmente aceita há centenas de anos. E quando os EUA assinaram o acordo nuclear com o Irã, comprometeram-se a cancelar as sanções. Não irá agora imitar Hitler que renegou vários pactos e tratados antes de começar a guerra.

Por certo, Obama sentirá vergonha de imitá-lo, de tornar-se um violador do direito internacional. E fazer o conceito dos EUA nas nações civilizadas ir para o fundo do poço.

Mais dia, menos dia, provavelmente depois das eleições, o presidente deve atender à justa reivindicação do Irã.

Enquanto isso, John Kerry desmancha-se em desculpas e informa a Zarif, o ministro do Exterior do Irã : ”Há agora inúmeras oportunidades para os bancos do estrangeiro fazerem negócios com o Irã…Infelizmente, parece haver algumas confusões entre alguns bancos do estrangeiro e nós queremos tentar clarificar tudo isso.”

No momento estão havendo eleições parlamentares no Irã.

As chances do reformista Rouhani contra os ultra-conservadores ficam prejudicadas pelos bilhões retidos ilegalmente, que poderiam já estar sendo aplicados para resolver alguns problemas do país.

Uma vitória dos adeptos do atraso deixaria Rouhani de mãos amarradas para aprofundar as reformas liberalizantes e democráticas que está implantando no país.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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