As Coreias engrossam.

Quando tudo parecia se encaminhar para o fim da guerra verbal no Pacífico Leste, deu zebra.

O “deixa disso” da China começava a dar certo.

Pressionada por Beijing, Pyongyang propunha uma reunião das 6 nações – Coreias do Norte e do Sul, Japão, China, Rússia e EUA – buscando uma solução no debate sobre a nuclearização norte-coreana.

China, Rússia e Japão aplaudiram.

Os EUA torceram o nariz.

E a Coreia do Sul foi além disso.

Sua presidente declarou não confiar nas boas intenções do país vizinho.

“Ações são mais importantes do que palavras”, explicou ambiguamente.

No caso, as palavras teriam fatalmente que vir antes, num acordo no qual as ações viriam a seguir para cumpri-lo.

Não demorou muito e Washington e Seul, unidos, disseram que o compromisso da Coreia do Norte de desnuclearizar o país teria de ser pré-condição de qualquer reunião multilateral.

Ou seja: teria de concordar em acabar com seu programa nuclear militar antes de falar em reuniões de paz. Puseram a carroça antes dos bois.

Resultado: as esperanças de um acordo foram para o espaço.

O presidente comunista apressou-se a declarar que de maneira alguma o país desmontaria seu arsenal nuclear. Nem pensar.

Mas deixou claro: que ninguém confundisse as coisas, seu armamento nuclear teria propósitos exclusivamente defensivos.

Vejam o que aconteceu com o Iraque, de Saddam Hussein, e a Líbia, de Gadafi, propôs um jornal (controlado pelo Estado) de Pyongyang.

Se tivessem desenvolvido seus programas nucleares, será que o Ocidente os atacaria?

Não se pode negar que os norte-coreanos tem certa razão.

Falando sério, o programa nuclear norte- coreano seria o tema da reunião dos 6.

O governo de Pyongyang colocaria seus receios de que, sem a bomba A, estaria à mercê dos EUA. Estes teriam, então, apresentar garantias capazes de acalmar o país comunista.

Imaginar que os norte- coreanos iriam concordar com a exigência de Washington e Seul sem negociações, é fantasia.

Ou querer que a crise continue correndo solta.

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