A pobreza no país mais rico do mundo.

Com a crise, os EUA continuaram a nação mais rica e poderosa do planeta, mas essa prosperidade não é para todos.

Os ricos continuam numa boa, mas as classes média e pobre estão ficando cada vez mais pobres

Segundo a OECD (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), a partir da recessão, a desigualdade social nos EUA cresceu mais nos últimos 3 anos do que nos 12 anteriores.

O processo de diminuição dos salários, iniciado há 30 anos, vem piorando a partir da recessão, com salários baixos substituindo gradualmente salários de nível médio.

E o Census Bureau informou recentemente que hoje nada menos do que 15% dos americanos vivem na pobreza. Não é pouco, no entanto essa instituição reconhece que o número de pessoas pobres está sub representado nesses dados. O seu Suplemental Poverty Measure calcula que já aumentou em 50% o número daqueles que ganham entre a metade e 2 vezes o limite da pobreza.

Para os congressistas republicanos, a crise se combate cortando despesas sociais do Estado e mantendo os subsídios fiscais dos mais ricos.

Fiéis a esse princípio, conseguiram reduzir a ajuda alimentar do Estado à população carente.

Com isso, 20 americanos ricos ganharam com seus investimento em 2012 um total igual a todo o orçamento de alimentos para cerca de 47 milhões de pessoas.

Se o Congresso continuar cortando benefícios sociais, prevê-se que em breve os 400 mais ricos da tradicional lista da revista Forbes lucrarão mais no mercado de capitais do que a soma dos orçamentos estatais para alimentação, habitação e educação juntos.

A classe média também não vai bem.

Considerando-se uma família que ganha 60 mil dólares anuais, ela tem de pagar impostos e taxas num total de 15 mil dólares.

Para o Census Bureau, seus gastos com moradia, alimentação, transporte e outras despesas domésticas irá a cerca de 50 mil dólares. Ou seja: o salário acaba antes do fim do mês, deixando dívidas para serem adicionadas às despesas do mês seguinte.

Segundo o Federal Reserve, as despesas anuais de uma família da classe média em 2009 eram cerca de 75.600 dólares. Por efeito da crise, seu salário médio caiu de 126.400 dólares anuais nesse ano para 77.300 dólares, em 2010. E continuou caindo.

Parece que a crise está começando a acabar nos EUA.

Mas ela deixou como herança a desigualdade, que tende a crescer, caso os congressistas republicanos insistam em proteger os lucros do 1%, às custas do maior empobrecimento dos 99%.

 

1 pensou em “A pobreza no país mais rico do mundo.

  1. A pobreza, vista como um problema sobretudo ético, não só está resolvida em poucas sociedades. E não é possível antecipar que uma vez solucionado não não ocorra retrocesso. Seria a principal missão da economia zelar pela realização de condições para o melhor bem estar comum nas sociedades. Mas não é isto que os compêndios pregam. Pregam o aumento da produção e do PIB. Esta visão está superada. O aumento incontido da produção, sabe-se, esbarra em limites naturais e não induz automaticamente a distribuição que previne pobreza. A rigor a atual produção já é suficiente para eliminar a pobreza extrema e muita produção de alimentos é desperdiçada. Algumas sociedades já chegaram a um nível de consumo que permite classifica-las de saturadas. O Japão é um exemplo. Os países escandinavos outro. Nos países com IDH muito alto, em geral as instituições sociais previnem pobrezas agudas. Para os Estados Unidos pode se afirmar que uma quebra de paradigmas culturais resolveria a questão. Todavia a pobreza não se restringe a uma questão de consumo e conforto mínimo. Para que estas condições sejam estabelecidas de forma sustentável, quer dizer que se reproduzam continuadamente, é preciso que sejam alcançadas sem subvenção ao consumo das famílias capacitadas a trabalho e auto-sustentação. Esta condição não é propiciada pelas bolsas.

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