Armas contra a Grécia.

Se, desde 1946, a Grécia gastasse na Defesa algo semelhante ao que gastam, em média, os países europeus,hoje não teria débito algum, afirma Angelos Philippides, um importante economista do país de Péricles.

De fato, ainda de acordo com Philippides, entre 2002 e 2006, os gastos militares gregos representavam 7% do seu PIB, enquanto nos outros países europeus eram em média 2,2%”.

Nessa época, a Grécia foi o quarto maior importador de armas do mundo.

Nos demais anos pós-guerra, a situação não foi muito diferente.

“Em proporção ao PIB, os gregos gastam em armas o dobro do que qualquer outro país europeu”, o ex deputado Papadimoulis informa:

.Ainda hoje, apesar das radicais economias exigidas pela Europa Unida, a Grécia é o décimo maior importador.

Esta doentia obsessão por armas é geralmente explicada pelo sentimento nacional de que é necessário manter o país preparado para uma eventual guerra contra a Turquia.

O que, na verdade, é absolutamente fantasioso.

Durante quase 4 séculos, a Grécia fez parte do império turco otomano, tendo conquistado sua independência em 1830.

Gregos e turcos lutaram entre si na guerra de 1919-1922.

E, em 1974, quando os turcos tomaram o norte da ilha de Chipre, estabelecendo ali um estado satélite.

Depois disso, as duas nações reataram relações, entraram na OTAN e passaram a manter relações diplomáticas normais.

Mesmo assim, o exército e os políticos de direita gregos vem mantendo viva a idéia da fatalidade de uma nova guerra contra os turcos, apesar do governo de Istambul , depois de 1974, jamais ter apresentado uma postura agressiva em relação à Grécia.

Thanos  Dokos, diretor geral da “Fundação Helênica de Política Européia e Estrangeira” declarou ao jornal online RT: “A Grécia considera que ainda está enfrentando uma ameaça da Turquia. E que  precisamos dispor de forças militares capazes de deter essa ameaça.”

Na crise terrível que assola a população grega, pesadíssimos sacrifícios tem sido impostos pelo FMI e pela Europa Unida, liderada pela Alemanha e a França, como condição da ajuda financeira para o país não quebrar.

Salários e pensões reduzidos; empregos públicos cortados; impostos crescentes; desemprego em alta (já é o 2º da Europa) ; carestia e escassez de alimentos e demais produtos estão levando o povo ao desespero.

Apesar do pesado arrocho já imposto ao país, o último relatório do FMI recomendou novas medidas de austeridade.

Profundos cortes estão sendo feitos em praticamente todas as áreas do orçamento.

Estranhamente, a redução nas despesas militares foi de apenas 400 milhões de euros. O país continua gastando 7 bilhões em armas, é ainda o 10º maior importador do mundo.

A  Alemanha, um dos principais credores da Grécia e líder na defesa de maior austeridade, é também um dos maiores fornecedores de armas para Atenas.

A Grécia é mesmo o principal mercado europeu para armamentos alemães, representando 15% do total das exportações do governo de Berlin.

O ex deputado Papadimoulis informa que a Grécia comprou, por dois bilhões de euros, dois submarinos que, aliás, apresentaram defeitos.

Os gregos devem ainda 1 bilhão de euros, nesse negócio. Cerca de três vezes a soma que o FMI exigiu de Atenas em cortes adicionais nas pensões para garantir o último pacote de ajuda.

Alguns observadores criticam o que chamam de “hipocrisia da Alemanha“: de um lado, exige duras medidas de austeridade, de outro, vende caríssimos e desnecessários submarinos.

Na semana passada, o antigo ministro da Defesa, Akis Tsochadzopoulos foi preso sob acusação de aceitar 8 milhões de euros de suborno da Ferrostaal, empresa alemã associada à venda escandalosa de quatro submarinos Classe 214 à Marinha grega, realizada há 12 anos.

Até agora, apenas um deles foi entregue, depois de ter sido descoberto falhas técnicas graves nesses submarinos.

Sobre esses fatos, declarou uma deputada do Partido Verde alemão, Franziska Brantner: “”Para Berlin, cortes nas  despesas sociais é a primeira coisa que vem à mente. No entanto, para mim como Verde, a primeira prioridade seria cortar despesas militares”.

De acordo com o “Instituto de Pesquisa da Paz Internacional”, de Estocolmo, a França também se beneficia da voracidade grega por armas.

Cerca de 10% do total de suas exportações nesse setor vão para a Grécia.

Afirma-se, em Atenas, que bem depois do início da crise grega, a Alemanha e a França tentaram fechar lucrativas vendas de armas enquanto exigiam profundos cortes em áreas essenciais, como saúde, por exemplo.

Há também um insistente boato de que a prestação da ajuda econômica européia foi condicionada à compra de armas alemãs e francesas pela Grécia.

Claro, não há comprovações de nada disso.

Mas é indiscutível que a troika, FMI- Banco Central-Europa Unida, foi extremamente branda nas exigências de cortes no orçamento de Defesa.

Ao contrário, da forma implacável como forçou cortes em despesas com Saúde, Educação, Assistência Social e outros itens muito mais necessários do que submarinos.

 

 

 

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