Afeganistão: A Paz Possível

Até a algumas semanas, as esperanças de uma paz negociada na Guerra do Afeganistão estavam em compasso de espera.
Aparentemente, de uma longa espera.

Algumas tentativas haviam se esboçado. Numa delas, descobriu-se que o dito representante dos talibãs não representava nada. Na outra, a pessoa encarregada das gestões pela OTAN e pelo governo de Kabul, foi assassinada.
De qualquer modo, as exigências das partes para começarem a discutir um acordo pareciam impossíveis de serem atendidas.
Enquanto, como pré-condição, os talibãs exigiam a retirada de todas as tropas do país, o outro lado exigia o desarmamento das forças inimigas.
Nenhuma das partes topava.
Havia mais um problema: como localizar negociadores talibãs representativos para se iniciar o processo se eles estavam escondidos em lugares não sabidos?
Começou a pintar uma solução quando os EUA ,a Alemanha e o Qatar concordaram com a instalação de um escritorio dos talibã em Doha, capital do Qatar.
Agora seria fácil encaminhar propostas por escrito e combinar reuniões com dirigentes dos talibãs, através desse escritório.
Aí aconteceu um ruído. O governo de KABUL, que até então era considerado uma espécie de fantoche, resolveu xiar. Pelo seu Alto Conselho de Paz exigiu entrar também nas negociações.
E estipulou suas condições para uma trégua com os talibãs, à qual se seguiriam reuniões para se definir um acordo de paz definitivo.
Eles exigem que os talibãs parem as violências contra os civis, o que parece fácil pois essas violências são efeito colateral dos ataques contra as forças da OTAN e dos EUA. Evidentemente não poderiam continuar durante a Trégua.
Exigem também que os talibãs rompam com a Al Qaeda. Atualmente, ,há poucos milicianos da Al Qaeda. Mandá-los embora não será problema.
Fica mais difícil aproveitar a terceira exigência: que os talibãs aceitem a constituição afegã. Como eles não participaram da sua elaboração, não estão nada propensos a concordarem.
O governo afegão ainda quer que o Paquistão participe das negociações, pois muitos importantes talibãs estão em seu território. E, na verdade, porque o Paquistão é a potência islâmica mais poderosa da região e os afegãos querem estar bem com ela. Amizade muito importante para, se necessário, defender o governo depois da partida da OTAN, em 2014.
No momento, esta condição não está fácil. As relações entre americanos e paquistaneses estão muito tensas, depois do assassinato dos 28 soldados pela força aérea dos EUA. Mas, os governos de Washington e Islamabad devem aprovar um novo acordo entre as duas potências. Embora esse novo acordo será, provavelmente, muito menos profundo do que o último, deverá prever um relacionamento pelo menos amigável entre as partes. E o Paquistão, bom vizinho do Afeganistão, acabará concordando em participar das futuras negociações de paz com o talibã.
O obstáculo principal será mesmo a obrigação dos talibãs aceitarem a nova constituição afegã.
Mas, haverá certamente a maior boa vontade por parte do governo para se contornar esse obstáculo.
Que está perfeitamente clara na afirmação do seu porta voz, Aimal Fawsi: “Nós estamos comprometidos com o processo de reconciliação, a experiência de 10 anos mostra que nenhuma solução militar é possível. Conversar com a oposição é a chave para isso.”

Luiz Eça

www.olharomundo.com.br

27/12/2011

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