A volta da Al Qaeda.

O governo americano anunciou a morte de Bin Laden como um golpe destruidor na Al Qaeda.

Não foi bem o que aconteceu.

Em alguns países, ela continuou na mesma trajetória descendente que vinha seguindo.

No Afeganistão, estava reduzida a menos de 50 pistoleiros, de acordo com a própria inteligência americana.

No Iraque permaneceu realizando atentados esporádicos e pouco impactantes. No Paquistão, fôra ofuscada pelos talibãs locais.

Forte mesmo, apenas no Yemen, na Somália e no Mali, para onde trouxe seus soldados, egressos da guerra na Líbia, com os armamentos que receberam por lá.

Paradoxalmente, o que se notou nos últimos meses deste 1 ano sem Bin Laden foi um ressurgir da Al Qaeda como potência militar.

Eles tomaram o poder no Norte do Mali; ocuparam parte do Sul do Yemen, onde anda resistem aos ataques da Força Aérea americana e do exército do governo; na Síria aderiram  ao exército da revolução.

Esperava-se que a Primavera Árabe daria novas motivações para os jovens lutarem contra os governos autocráticos e as intervenções americanas através de movimentos pacíficos.

Mas, depois de triunfar na Tunísia, na Líbia e no Egito; ser envolvida pela pseudo reestruturação do regime do Yemen; ser derrotada no Bahrein; enfraquecer diante das reformas e distribuição de benesses ao povo, respectivamente na Jordânia e na Arábia Saudita, a Primavera Árabe perdeu seu poder de catalisador da revolta da população árabe, particularmente dos jovens.

De outro lado, a grande expansão dos ataques americanos com drones, causando milhares de mortes de civis no Paquistão, no Yemen e no Afeganistão; o aumento dos atentados contra a religião e a vida de famílias islâmicas, por parte de elementos irresponsáveis do exército americano; a volta das intervenções colonialistas ocidentais, como aconteceu na Líbia; a omissão do Ocidente face as violências e a ocupação israelense da Palestina; as sanções destrutivas aplicadas pelo Ocidente no Irã para contentar Israel; todos esses fatos tem alimentado o ressentimento e o ódio dos jovens muçulmanos, muitos dos quais vêm na Al Qaeda o modo de retrucar violência com violência.

Na semana passada, ela voltou a atacar em grande estilo no Iraque, derrubando um helicóptero e realizando outros atentados, que mataram 120 pessoas, entre civis e policiais, em poucos dias.

Isso chamou a atenção de um grupo de 12 membros da Câmara dos Comuns e da Câmara dos Lordes do Reino Unido, conforme relata o Geo News .

Eles enviaram uma carta a comandantes dos EUA e da OTAN, exigindo o fim dos ataques de drones,  pois seu resultado seria “reacender o ódio e criar uma justificação para o terrorismo retaliatório.”

Os lordes e deputados lamentam a morte de milhares de inocentes nos ataques de drones.

Talvez atendendo a esse apelo, não se conseguiria acabar com a Al Qaeda.

Mas provavelmente reduziria bastante o recrutamento de novos milicianos e seu poder letal.

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