A Ucrânia mudou e continuou como estava.

A revolução ucraniana foi feita por vários motivos.

O principal foi a derrubada de um regime altamente corrupto, dominado por uma oligarquia de chefes políticos ligados a interesses econômicos.

Hoje, quase um ano depois, nada parece ter mudado.

No índice de percepção da corrupção mundial da Transparência Internacional a Ucrânia ocupa um nada lisonjeiro 142º lugar entre 174 nações, mesma posição de antes da revolução.

Perde para países como  a Nigéria, Uganda, Quirguistão e Honduras.

Em julho, numa pesquisa da International Republican Institute First, a maioria dos respondentes respondeu que os esforços contra a corrupção do governo atual são bem menos efetivos do que os do governo do deposto Yanukovych.

Na última pesquisa de imagem, o presidente Poroschenko foi bem avaliado por apenas 24%, enquanto o primeiro-ministro Yatsenyuk deu-se ainda pior: 11% favoráveis..

Somente agora, Poroschenko resolveu começar a implementar reformas contra a corrupção.

Criou-se um Birô Nacioal Anti-Corrupção.

Falando a respeito de como as coisas estão andando, disse Donald Bowser, assessor independente (ele é canadense) não foi nada alentador: “Mais de doze bilhões de dólares por ano continuam a ser roubados do Estado, através da corrupção do escritório do procurador-geral. É o maior crime organizado da cidade, apenas (por) gangsters frios.”

O nome que se destaca como principal responsável pela situação é o do procurador-geral Viktor Shokin.

Desde sua nomeação em fevereiro, ele não levou a julgamento nenhum caso de corrupção do ex-presidente Yanukowicz ou de seus parceiros.

O que faz crer que a mesma camarilha que levou multidões às ruas clamando pela queda do regime, continua vivendo em paz.

O procurador ignorou as centenas de casos de corrupção de alto nível apresentados pelo comitê parlamentar de prevenção e combate à corrupção.

O que levanta uma suspeita de que a falada reforma democrática e anti-corrupção do governo Poroschenko tem muita chance de permanecer nas gavetas.

E o que teme o assessor Bowser:”A reforma está sendo definitivamente bloqueada dentro do escritorio do procurador porque o que está em jogo é muita coisa. Há muito dinheiro nesse sistema, fato que leva muitas das pessoas no interior do sistema a dizer:’Okay, pegue o dinheiro e fuja.’”

Em entrevista ´à Al Jazeera, Yegor Sobolevi, presidente do comitê parlamentar fala de juízes e procuradores corruptos que deixam o novo presidente e o novo primeiro ministro e muitos membros do parlamento continuarem os mesmo esquemas corruptos criados pelo ex-presidente Yanukowic(aquele mesmo deposto pela revolução).

Uma dessas figuras, Martnenko, continua presidente do comitê de energia do parlamento, embora sendo investigado na Suiça por suspeita de depositar em sua conta num banco local milhões de dólares de subornos.

Martynenko é homem de confiança do primeiro ministro Yatseniuk.

Foi este mesmo político que, Victoria Nuland,  sub-secretária de Estado dos EUA, exigiu (e conseguiu) que fosse nomeado primeiro-ministro no governo pós-revolução, num telefonema gravado no qual mandou a Europa se foder, pela sua moderação em intervir na política ucraniana.

Aliás, os EUA já vinham colaborando bastante na que do regime pró-russo de Yanukowicw

5 bilhões e dólares foram aplicados para criar ativistas e influenciar a opinião pública contra o governo Yanukowcz conforme a própria Nuland informara em reunião meses antes da revolução.

Por isso mesmo, o vice-presidente americano Joe Biden estava tomado de justa ira pela má atuação do governo que seu país tanto ajudara a implantar.

O povo ucraniano bem que poderia acabar se cansando desta farsa de se mudar um governo para repetir o que mais havia de repreensível nele.

E aí por voto ou pela revolução, as coisas poderiam acabar mal.

E não é só pela má aplicação dos dólares americanos que Biden estava irritado.

Enquanto os governantes ucranianos comportavam-se mal, seus rivais russos davam lições de bom mocismo no Oriente Médio.

Aesar do abate do avião russo pelos turcos; do bombardeio da OTAN sobre uma base do governo sírio que prejudicava a expansão do ISIS; da penetração turca no Iraque, violando sua soberania e, principalmente, da negativa de Obama em aceitar Moscou na coalizão anti-ISIS, Putin prosseguia buscando a paz na Síria e a destruição do Estado Islâmico..

Reclamam que Putin bombardeia também rebeldes moderados, ele pede  um mapa de sua localização para que isso não mais aconteça.

Vai além: propõe-se a dar cobertura aérea aos inimigos de Assad nas suas operações no co,mbate ao ISIS.

Apesar de continuarem renegando Assad, França e Reino Unido apelam a Moscou para que se una a eles em uma ação militar coordenada contra os bárbaros do ISIS. E Putin aceita.

Cada vez mais se fortalecem as parcerias entre europeus e Rússia.

Novos ataques de grande efeito do ISIS são esperados.

Mais necessária será a colaboração da Rússia, do seu aliado o Irã e e, por que não? Da China.

At[e que ponto?

A Ucrânia teme que o preço possa ser o fim ou, ao menos, o alívio das sanções européias contra a Rússia, causadas pela secessão da Ucrânia do Leste e da anexação da Criméia.

Chegará um ponto em que não valerá à pena sacrificar a força da Rússia e aliados para derrotar o ISIS em benefício do governo até agora corrupto de Poroschenko.

A Casa Branca não vai assistir a essa virada  de braços cruzados.

Depois de tantos meses convencendo a Europa do perigo russo e da necessidade de brecara com sanções a expansão do insaciável Putin não dá para admitir que ele se tornou um “good guy”, nível James Stewart.

Portanto, luzes! Cameras ! Ação!

E o vice- presidente Biden foi enviado a Kiev para dar um puxão de orelhas em Poroschenko, inclusive exigindo a demissão do procurador-geral Shokin e a aceleração da reforma anti-corrupção para dar um lustro na imagem do país.

Claro, ele ofereceu também ais ajuda financeira, treinamento militar, mais armas (a indústria americana de armamentos está sempre com fome).

Por sua vez, Obama já programou contingentes de forças especiais para combater o ISIS e vai dobrar os bombardeios.

Além da força do “Não” americano, por enquanto a arma mais poderosa da Casa Branca

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