A lei não é para todos.

Vários fatos lamentáveis na negativa do espaço aéreo ao avião de Evo Morales e sua permanência forçada em Viena, por 14 horas.

Em primeiro lugar a truculência americana, ordenando que governos europeus impedissem o voo, pura e simplesmente.

Isso ficou praticamente provado quando Tio Sam admitiu ter informado aliados europeus que Edward Snowden poderia passar voando ou descer em seus territórios.

Inquirido se solicitara que esses países agissem, o representante dos EUA veio com o tradicional “nada a declarar”, exatamente como Israel responde quando lhe perguntam se tem armas nucleares…

Mais uma vez o governo americano mostrou que manda mesmo. E os atuais governos de certos países europeus obedeceram servilmente.

Todos eles ansiosos em não desagradar o presidente Obama.

Afinal, por estarem em crise, precisam muito da boa vontade do FMI, onde os EUA tem voz ativa.

Ao negarem passagem por seu espaço aéreo, Paris, Roma, Madri e Lisboa não vacilaram em violar vários preceitos legais internacionais.

Auxiliaram os EUA na sua perseguição a um cidadão contra quem não havia nenhum mandado da Interpol. Apenas a ira americana, a vontade de fazer de Snowden um exemplo, que atemorizasse qualquer outra pessoa disposta a revelar manchas ocultas na reputação de Tio Sam.

Outro ilícito no qual incorreram os governos europeus foi o desrespeito a convenções diplomáticas que garantem os direitos do presidente de uma nação.

Ao fazer isso, não hesitaram em arriscar a vida do presidente da Bolívia e das pessoas que viajavam com ele, pois o combustível do avião estava acabando e ele precisaria se reabastecer logo.

Para poder prosseguir, foi necessário mudar a rota e aterrissar no aeroporto de Viena.

Ali, novas humilhações e abusos iriam acontecer.

Ignorando as leis internacionais, as autoridades da Áustria forçaram Evo Morales a permanecer 14 horas no aeroporto, enquanto revistavam  seu avião, em busca de Edward Snowden.

Tudo de modo arbitrário, sem qualquer autorização judicial.

O governo boliviano qualificou essa situação como um verdadeiro “sequestro”. Guardadas as devidas proporções, não deixou de ser.

Que nome você daria ao ato de manter alguém retido contra sua vontade durante 14 horas?

E a coisa fica muito mais grave por ser a vítima o presidente de um país soberano, com quem a Áustria mantém relações normais.

Os países violadores deram explicações, claramente falsas.

A França, ao menos, pediu desculpas.

Hollande declarou que foi mal informado. Ao saber que Morales estava no avião teria dado ordem para que fosse suspensa a proibição.

A insuspeita Aliança Internacional condenou duramente a postura dos EUA nesse triste episódio.

“A campanha implacável das autoridades americanas para caçar e bloquear a tentativa de procurar asilo do denunciante Edward Snowden é uma brutal violação dos seus direitos humanos. É direito inalienável dele, baseado na lei internacional, procurar asilo e isso não deve ser impedido. A tentativa dos EUA de pressionar governos para bloquear as tentativas de Snowden são ainda mais deploráveis se considerarmos o mau tratamento que ele se arrisca a sofrer caso seja extraditado para os EUA. Nenhuma nação pode entregar uma pessoa para outra nação quando há um sério risco de mau tratamento.Sabemos que outras pessoas processadas por razões semelhantes foram encarceradas em condições que, não apenas a Aliança Internacional, como também autoridades da ONU, consideraram cruéis, degradantes e desumanas,em violação da lei internacional.”

Havia aí uma referência ao modo ao os EUA fez com o soldado Bradley Manning, trancafiado muitos meses em prisão solitária, despido e sujeito a vexames.

Os dirigentes dos países da América do Sul protestaram com indignação contra a atitude dos EUA e de sua coterie europeia.

Os mais exaltados viram nos transgressores um desprezo aos países de toda região, recentemente designados pelo secretário de Estado, John Kerry, como “o quintal dos EUA”.

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