A aposta de Netanyahu deu muito errado.

O premier de Israel deixou muito claro que preferia que Romney ganhasse a eleição americana.

Era absolutamente lógico.

Romney declarara que não ia fazer nada pela independência da Palestina pois o que “aqueles árabes queriam” era destruir Israel.

Apoiaria Bibi se ele resolvesse bombardear o Irã.

E os próprios EUA se encarregariam do serviço caso o Irã alcançasse a “capacidade nuclear”.

Tudo exatamente como Netanyahu tinha determinado.

Já Obama, embora, no geral, acabasse apoiando os interesses de Telaviv, às vezes, fazia objeções, dava trabalho para ser dobrado.

Custou para desistir de insistir na paralisação da expansão dos assentamentos.

Falou em negociações de paz para se criar uma Palestina independente, com base nos limites de 1967.

Bibi precisou voar para os EUAS e convocar seus aliados do Congresso para chamarem Obama à ordem e forçá-lo a arreglar.

Na questão com o Irã, foi eficiente ao na imposição de duríssimas sanções.

Mas, inesperadamente, negou-se a topar o ataque israelense ao Irã.

E também não aceitou definir melhor o que seria a “linha vermelha”, que o programa nuclear do Irã não poderia ultrapassar sem reação americana. Limitou-se a dizer que não permitiria que os iranianos construíssem sua bomba nuclear.

Com a vitória de Obama, Netanyahu ficou mal.

Como disse seu Ministro do Interior, Eli Yishai, no dia em que se conheceu o resultado da eleição americana: ”Esta não é provavelmente uma manhã muito boa para o Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu.”

De fato, Bibi agora teme uma certa má vontade do Presidente Obama, depois de, como disse o jornal Haaretz, ele ter “intervindo grosseiramente, vulgarmente e abertamente na campanha americana.”

Mas o pior é a exploração da aposta errada pela oposição, mostrando que, com Bibi, a relação de Israel com o ofendido Obama (e com os EUA) iria piorar, a dano de Telaviv e da população.

A coalizão de Olnert e Tzipi Livni, os principais adversários de Bibi, passa a ter chances concretas de vencer as eleições israelenses em 15 de janeiro.

 

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