700 mil suspeitos de terrorismo nos EUA.

Em 2005, quando ia embarcar no aeroporto internacional de São Francisco, Rahinah Ibrahim, Phd pela Universidade de Stanford, foi presa e algemada pela polícia.

Submetida a interrogatório, acabou sendo solta.

Não lhe disseram por que recebeu esse tratamento que a fez perder o avião, fora o susto.

Soube, posteriormente, que estava numa lista de suspeitos de terrorismo.

A jornalista Susan Stellin revela no New York Times (30/11) que o FBI mantém uma lista assim.

São mais de 700 mil nomes, conforme informou, em 2008, a American Civil Liberties Union, citando relatório do inspetor geral do departamento de Justiça.

A lista é secreta – não se sabe quem está nela, porque e por quem foi inscrito como um possível agente ou colaborador do terrorismo.

Para a professora Anya Berstein da Faculdade de Direito de Bufalo, nada indica que as agências de segurança realizem qualquer tipo de revisão retrospectiva para verificar se cada um dos nomes deve continuar na lista.

Como não dá para admitir que haja 700 mil terroristas ou colaboradores nos EUA, a conclusão é que apenas uma minoria absolutamente irrisória se enquadra nessa qualificação.

E acaba pesando sobre os outros, a maioria perto do total, o risco de um dia sofrerem algum tipo de punição pelas autoridades, de gravidade variável.

São centenas de milhares de justos pagando pelos raros pecadores, algo mais adequado a um estado policial do que a uma democracia.

Rahinah Ibrahim acionou o governo federal, solicitando as razões de estar na lista dos suspeitos, para defender-se e exigir a retirada do seu nome.

Já que, nem remotamente, tem nada a ver com terrorismo.

A não ser, talvez, sua religião islâmica…

Desde o início desse processo kafkiano, que já dura 8 anos, as autoridades limitam-se a medidas protelatórias, não entrando nunca no mérito da questão.

Jefferson, Washington e Tom Paine ficariam chocados.

 

 

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