52 países cúmplices nos sequestros e torturas da CIA de Bush.

No programa extraordinary renditions da CIA, no governo Bush, suspeitos de terrorismo eram sequestrados no exterior e transportados por avião para “casas secretas”, em países onde interrogatórios com torturas eram rotina.

Foram realizados cerca de 1.245 voos, levando quase 3.000 “passageiros” para uma viagem da qual muitos jamais voltaram.

Claro, tudo era feito clandestinamente pois violava flagrantemente os direitos humanos e as leis internacionais.

Mas não dava para esconder para sempre.

No início de 2005, as renditions tornaram-se públicas pela primeira vez quando o Washington Post e a Human Rights Watch denunciaram a existência dos voos e de pontos negros (black sites), as prisões secretas da CIA, em diversos países da Europa, Ásia e África.

Seguiram-se revelações de vários casos escandalosos.

Em dezembro de 2005, 23 agentes americanos da CIA foram condenados `prisão por um juiz da Itália pelo sequestro do clérigo Abu Omar em plena cidade de Milão.

Transportado à força para o Cairo, ele fora torturado brutalmente pela polícia secreta do Egito, então governado por Mubarak, sendo liberado posteriormente.

Nesta semana, um tribunal de apelação negou o último recurso dos réus que, por sinal, não foram entregues pelos EUA á Itália, para cumprirem suas penas.

Em dezembro de 2012, a Corte Europeia de Direitos Humanos considerou a CIA culpada pelo rapto e tortura, no Afeganistão, do cidadão alemão Khaled-Al-Masri. Ele era totalmente inocente – fora um caso de erro de identidade.

Na Polonia, o primeiro-ministro Donald Tusk, confirmou que seu ex espião-chefe, Zibignew Semiatkowski estava sendo processado criminalmente em conexão com uma investigação do Procurador Geral sobre o papel do país no programa de renditions e prisões secretas. A investigação polonesa chegou a um impasse diante da recusa do governo americano em revelar importantes documentos, segundo denunciou o jornal Gazeta Wyborcza.

O envolvimento dos governos estrangeiros nas renditions do governo Bush foi muito maior do que se pensava.

A Open Society Justice Iniciative, uma ONG de advogados de direitos humanos, acaba de publicar um relatório, revelando que 54 países teriam colaborado com o programa operado pela CIA.

Foram 25 países europeus, 14 asiáticos e 13 africanos.

Assim, por exemplo, Polônia, Lituânia, Romênia e Tailândia são acusadas de permitir a instalação de “casas secretas” da CIA..

No Paquistão, Síria, Afeganistão, Egito e Jordânia os suspeitos teriam sido submetidos aos interrogatórios com violência durante anos.

O relatório também afirma que Islândia, Irlanda e Chipre cederam  aeroportos para os aviões que transportavam suspeitos sequestrados.

Quanto ao o Canadá, além de pesar a mesma acusação, o relatório acrescenta que forneceu informações que levaram à prisão e transporte forçado de um cidadão do país à Síria, onde foi torturado durante um ano.

O Reino Unido, dos tempos de Tony Blair, não escapou das denúncias: teria interrogado suspeitos sequestrados e mantidos presos secretamente e permitido o uso dos seus aeroportos e espaço aéreo.

Segundo o relatório, o cidadão Sami AL-Saadi foi sequestrado por agentes ingleses e enviado para a Líbia (de Gadafi).

Lá, a polícia secreta do ditador entrou em ação, procedendo ao tipo de interrogatório “agressivo” que você pode imaginar.

Até o Irã caiu nas malhas do relatório da Open Society. Acusado de colaborar com as renditions, enviando 15 suspeitos presos a Kabul, consciente de que seriam interrogados pela CIA, de um modo, digamos, brutal.

 

 

 

 

 

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