Vale tudo contra o Irã.

Os EUA acabam de deslegitimar a sua Guerra contra o Terror.

Tirou da lista de terroristas o notório MEK (Mujahedin-e-Khalk), que ali havia sido inscrito pelo Departamento de Estado há 15 anos.

O MEK nasceu no Irã onde praticou uma série de atentados a bomba, raptos e assassinatos nos anos 70, inclusive contra cidadãos americanos.

Inicialmente, aderiu à revolução islâmica de 1979. Tendo sido afastado do poder, caiu na clandestinidade, onde voltou a praticar atos terroristas.

Perseguido pelo governo iraniano, o movimento deslocou-se para o Iraque.

Foi bem recebido pelo ditador Sadam Hussein, que utilizou seus serviços na guerra contra o Irã.

Posteriormente, o MEK participou de massacres promovidos pelo governo contra curdos e xiitas.

Quando George Bush quis justificar a invasão do Iraque, alegando o apoio de  Saddam Hussein a movimentos terroristas, o MEK foi citado expressamente como um dos beneficiários.

Com a invasão e ocupação do Iraque, os membros do movimento foram confinados no Campo Aasraf, de onde não deveriam poder sair livremente.

No entanto, segundo o FBI, o MEK continuou a realizar ações terroristas até 2004.

O US News noticiou que o Departamento de Estado, em 2007, havia prevenido o governo de que o MEK continuava mantendo a capacidade e as intenções de promover atentados a bomba, seqüestros e assassinatos na Europa, EUA, Oriente Médio, Canadá e outras regiões.

Apesar dessas denúncias, o MEK, há alguns anos, alegou que havia abandonado o terrorismo desde janeiro de 2001.

E lançou uma campanha milionária de Relações Públicas cujo objetivo era convencer o Departamento de Estado a retirar seu nome da lista de movimentos terroristas.

Em 2011,  já haviam conseguido a adesão de um grande número de antigos membros do governo americano e dos serviços de inteligência, jornalistas e congressistas dos dois partidos.

Vários receberam substanciais cachês para dar palestras sobre o MEK, defendendo sua retirada da lista dos movimentos terroristas.

O Christian Science Monitor referiu-se a eles como “Essas ex-autoridades de alto nível – que representam todo o espectro político-  às quais foram pagos dezenas de milhares de dólares para falar em favor do MEK’.

Entre elas, estavam os democratas Howard Dean (ex pré-candidato democrata à presidência), Ed Rendell, Bill Richardson e Lee Hamilton; os republicanos Ruddy Giuliani (ex prefeito de Nova Iorque), Fran Townsend, Tom Ridge e Andrew Card; o neocom John Bolton (ex embaixador dos EUA na ONU) e o líder judaico-americano Elie Wiesel.

Enquanto todas estas respeitáveis pessoas juravam que o MEK tinha entrado no time dos good guys, renunciando a suas atividades terroristas, os fatos provavam o contrário.

Em fevereiro deste ano, o programa de TV, NBC News, informava, citando autoridades americanas, que os ataques mortais contra cientistas nucleares iranianos foram cometidos pelo MEK, “financiado, treinado e armado pelo serviço secreto de Israel”.

O governo iraniano confirmou essa acusação.

A NBC também referiu “informações não confirmadas da imprensa israelense de que o MEK esteve envolvido na explosão que destruiu o centro de pesquisas e desenvolvimentos de mísseis do Irã, em Bin Kaneh.

Em abril, o jornalista Seymour Hersh (premio Pulitzer) informou que  os EUA forneceram durante anos treinamento a militantes do MEK em solo americano. Fato considerado crime de felonia pelas próprias leis dos EUA , pois se tratava de apoio a movimento terrorista, o que é terminantemente proibido.

Nada disso foi levado em conta por 99 congressistas – democratas e republicanos-  que assinaram uma resolução pedindo que os chamados “guerreiros sagrados” fossem retirados da lista dos bad guys.

Para ajudar a convencer esse pessoal, o MEK contratou algumas das maiores firmas de lobby dos EUA.

À Victoria Toensing of DiGenova & Toensing,  foram pagos 110 mil dólares e Akin, Gump, Strauss, Hauer & Field escalaram 5 lobistas para trabalhar os congressistas, recebendo 390 mil dólares. Paul Marcone & Association também deram uma forcinha, por 10 mil dólares.

O principal argumento usado em todas as frentes da batalha de comunicação empreendida pelo MEK foi os bons serviços que ele prestou e prestará, praticando atentados contra o Irã. Isso seria justificado, pois “o inimigo do meu inimigo, meu amigo é.”

A campanha do MEK foi vitoriosa.

Seu nome vai sair da lista negra. De agora em diante, poderão receber financiamentos particulares e verbas do Congresso para suas ações terroristas no Irã.

Para a oposição iraniana democrática, foi uma decisão desastrosa.

Antes dela ser conhecida, um manifesto do Movimento Verde, que contesta o governo Ahmadinejad, dizia : ‘’Remover o MEK da relação dos movimentos terroristas fortaleceria os linha dura do Irã para intensificar sua repressão e desacreditar o Movimento Verde, acusando-o de estar ligado ao grupo MEK, detestado em todo o país, e facilitando a supressão da oposição política iraniana.”

Comentando a aprovação, assim falou Jamil Abdi, Presidente do NIAC (união iraniano-americana), que une nos EUA os iranianos anti-regime dos aiatolás : “Hoje o maior vencedor é o regime do Irã, que há muito tempo acusa os EUA de querer destruir o país e ser inimigo do povo iraniano. Esta decisão será apresentada como uma prova de que os EUA estão acumpliciados com um grupo terrorista ultrajante e conseguirá grande receptividade para esse falso argumento.”

Acho que a “cristianização” do MEK passa a idéia de que, para a Casa Branca, terrorismo condenável é só quando atinge Tio Sam ou seus aliados.

Ou como disse funcionário do alto escalão do Departamento de Estado: “Poderemos estar tirando eles da lista do terror para que possam fazer mais terror.”

 

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