Vai dar Evo Morales.

Evo Morales deve ganhar na certa as eleições bolivianas.

A última pesquisa mostra o atual presidente em primeiro com 45% das intenções de voto, ficando o 2º colocado bem atrás, com 13,6%. Vantagem muito superior a 10% o que, segundo a constituição boliviana, lhe dará a vitória já no primeiro turno.

Quando Evo Morales elegeu-se pela primeira vez, em 2005, foi olhado com  desprezo pela classe, dita ilustrada – a elite dos 12% brancos que governou o país desde sua independência, no século 19.

Políticos dessa elite nas presidências anteriores seguiram os preceitos do FMI e deixaram como herança uma renda per capita inferior à de  27 anos atrás e 60% da população na miséria.

Era o país mais pobre da América do Sul que esse pequeno fazendeiro índio iria governar.

Veja como ele enfrentou esse assustador desafio.

Evo aplicou boa parte do orçamento em programas de inclusão social.

Como resultado,  a extrema pobreza, que atingia 38% da população, em 2005, caiu para 20%. E a Bolívia deixou de ser o país mais pobre da América do Sul, passando essa pouco desejada primazia para o Paraguai.

Na economia, o governo Evo Morales nacionalizou os setores-chave, inclusive os hidrocarburetos.

Repetiu esse ato com a multinacional Red Electrica que pouco investia na extensão da rede, deixando sem energia muitas regiões mais remotas. Problema resolvido pela estatal que assumiu em seu lugar.

Por outro lado, as empresas mineiras internacionais, que respeitaram as leis e interesses do Estado boliviano, receberam amplas garantias.

Impulsionada pelas exportações de gás, petróleo e minérios, a economia da Bolívia cresceu substancialmente mesmo nos anos seguintes à grande crise mundial.

5,2%, em 2010- 5,2% , em 2011 -4,1%, em 2012 – 6,8%, em 2013.

Para este ano, espera-se um índice positivo de 5%.

E a renda per capita simplesmente dobrou.

Evo teve muitos problemas com os EUA.

A certas alturas,  não vacilou em expulsar o embaixador de Tio Sam, irritado com sua intromissão nos assuntos políticos locais.

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Fez o mesmo com a USAID.

Conforme documentos oficiais do governo americano a USAID e a National Endownment for Democracy , financiavam os movimentos separatistas e golpistas da chamada Media Luna Boliviana – liderada pelos governadores oposicionistas dos ricos estados do sul do país.

No começo, a questão da coca afetou a imagem internacional do governo.

Evo, ele próprio um produtor dessa planta, recusou-se a aceitar a política de erradicação total defendida pela DEA.

A explicação é que a coca, além de matéria-prima da cocaína, é também um produto energético, largamente consumido na forma de chá especialmente pela população índia de vários países latino-americanos.

O governo boliviano optou por controlar sua produção, empenhando-se em reduzir as plantações até se atingir o total de consumo legal.

Sentindo-se desrespeitado pela DEA, Evo ordenou que se retirasse do país.

Com a expulsão, Washington esperava um refluxo na eliminação das plantações de coca.

Aconteceu o contrário: houve uma redução de 7% no período 2011/2012 e de 11%, no período 2012/2013.

O que levou o setor de combate às drogas da ONU a elogiar o trabalho do governo boliviano.

Nesses 9 anos de governo, o pequeno índio enfrentou uma série de complôs da direita e grandes protestos por grupos indígenas.

Mas, saiu-se bem.

Hoje ninguém mais o despreza e ele caminha para mais uma consagração popular.

 

 

 

 

 

 

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