TRUMP NA EUROPA: MENTIRAS, AMEAÇAS E DESCORTESIAS.

Toda vez que Trump vai a uma reunião de cúpula, os demais participantes esperam pelo pior.

E The Donald corresponde às expectativas.

Na reunião do G7, no Canadá, ele se recusou a assinar o documento final, saiu sem pedir licença e chamou o primeiro-ministro Trudeau de idiota.

Poucas semanas depois, preparando-se para seu tour europeu, o presidente insinuou que poderia sair da NATO, deixando aterrados os países fronteiriços da Rússia, que se viam à mercê dos apetites territoriais de Putin.

Em entrevista ao Sun, tabloide de escândalos do magnata e amigo, Rupert Murdoch, ele ameaçou sua fiel aliada, Teresa May. Caso a primeiro-ministro do Reino Unido insistisse num Brexit suave, poderia dar adeus a um acordo bilateral com os EUA. Que sentia muito mais interessante para os ingleses, segundo Trump. Ele aproveitou o embalo para lamentar a saída de Boris Johnson do ministério e disse espertar que voltasse, talvez como primeiro-ministro (no lugar de Teresa May?).

Também voltou suas baterias contra sua principal vítima, a União Europeia. Repetiu seu mantra – a Europa explora a boa fé dos EUA- sem dúvida uma ideia absolutamente original pois não há um exemplo histórico de uma metrópole ser lesada pelos satélites. O contrário é o que tem acontecido, desde os tempos remotos do império babilônico.

“Nós não temos jogo limpo com a Europa nos negócios, atualmente. Eles nos tratam horrivelmente…”

E, chantageando, trovejou “…e isso vai mudar. Se eles não mudarem, vão pagar um alto preço. E eles sabem que preço será.”

Qual seria esse preço?

A saída dos EUA da OTAN? A taxação impiedosa de todas as exportações europeias pera os EUA? A divisão do mundo entre Trump e Putin? A proibição dos americanos comerem paté e Einsbein? O fechamento do mercado americano para as euro-empresas?

Talvez seja esta a ameaça mais provável.

Imitando seu chefe, o departamento de Estado dos EUA assustou as empresas europeia que investem no Nord Stram 2, o gasoduto russo que irá duplicar as vendas de gás à Europa. Caso persistam, sofrerão sanções, ou seja, não poderão mais entrar no fabuloso mercado americano.

Por sua vez, The Donald, como típico vendedor sem muita ética, atacou a concorrência. Lembrou que, sendo o maior comprador europeu de gás russo, a Alemanha tornou-se dependente de Moscou, enfurecendo Merkel pela 7ª ou 8ª vez.

Para se livrar dessa incômoda situação, os germânicos teriam de mudar para o gás liquefeito produzido nos EUA, bem mais caro..

Isso traria saboroso lucros para as empresas de Tio Sam e algum alívio para o gigantesco déficit comercial americano.

Terminada a entrevista, Trump partiu para a primeira etapa do seu tour político-comercial pela Europa: a reunião da NATO.

Para alegria dos demais países da organização, The Donald não virou a mesa, nem quebrou copos ou ofendeu alguém.

Porém, sua saída, foi arrogante:  ”A NATO está mais forte do que há dois dias atrás.” Ou seja, antes de ouvir suas sábias admoestações.

Em seguida, seu nariz começou a crescer quando declarou que muito fora conseguido na reunião, os europeus teriam jurado aumentarem já suas contribuições para os exigidos 2% dos seus PIBs. Poderiam mesmo chegar a 4%.

A mentira presidencial foi logo desmentida perlo presidente francês Macron e por funcionários da NATO. Nenhuma concessão substancial fora feita. O objetivo continuava sendo atingir os 2% somente em 2024, conforme decidido em reunião em 2014.

E Donald Trump saiu frustrado.

Ele esperava que os países do Velho Continente engrossassem suas contribuições à NATO. As quais seriam aplicadas principalmente na compra de equipamentos militares americanos. É claro, pois o vendedor, The Donald, garantiu:  ’’Os EUA fazem, por larga margem, os melhores equipamentos militares do mundo, os melhores jatos, os melhores mísseis. As melhores armas, os melhores de tudo.”

Na segunda etapa da excursão, dois dias na Inglaterra, Trump não seria bem recebido, os ingleses não gostam nada de seus máus modos e arrogância. Previdente, a primeira-ministro, Teresa May, elaborou um roteiro, no qual seu hóspede só veria Londres do alto de um helicóptero. Depois de rápidas passagens por lugares londrinos fechados e bem protegidos, Trump deveria entrevistar-se com Teresa na cidade de Chequers. A seguir tomaria chá com a rainha. Por fim, iria jogar golfe na Escócia (os cidadãos de lá torcem para que ele perca).

No pouco tempo que durou sua estada londrina, Trump violou uma norma não-escrita da diplomacia: no exterior, jamais atacar as autoridades locais.

Imagine se o morador da Casa Branca iria perder esta oportunidade de criticar um desses inimigos trabalhistas, o prefeito Saadiq Khan.

“Vocês têm um prefeito que está fazendo um trabalho horrível, em Londres,” declarou. “Deem uma olhada no terrorismo que está acontecendo em Londres. Acho que ele está fazendo um trabalho muito ruim contra o terrorismo.”

Aproveitou ainda para criticar as brandas leis de imigração inglesa, que estariam causando muitos crimes.

Sadiq Khan apressou-se em responder:  ”Está havendo um aumento nos crimes violentos na Inglaterra e no País de Gales…aumentou mais de 20%…em Londres, foi só 4%…Precisamos lidar com as causas, mas também usar a aplicação da lei, onde nós perdemos 7 milhões de libras (via ajuste fiscal federal). Mas, em nosso orçamento de Londres eu investi 4 milhões de libras… (mas) a ideia de culpar a imigração da África é absurda.”

Enquanto isso, The Donald não era bem-vindo em Londres, onde uma gigantesca manifestação percorria as ruas. Quase 100 mil protestavam contra a vinda do presidente americano, com as pessoas falando as piores do líder republicano. Grandes protestos também aconteciam em Manchester, Birminghan, Glasgow, Norwich, Plymouth, entre outras cidades, por todo o Reino Unido.

Indiferente a esta demonstração de desamor, Trump realizou seu sonho de tomar chá com Elizabeth II.

A rainha deve ter suspirado, mas não tinha jeito, afinal ela está para coisas assim. Deve ter sido constrangedora para ela, com seus 90 anos, ser submetida a essa provação de tomar chá com aquele parvenu.

Não se sabe como decorreu o evento. Espera-se que ele tenha demonstrado bons modos à mesa. No entanto, não seria estranho se The Donald tivesse tratado a rainha como Vossa Eminência. Talvez, a chamado familiarmente de Betty. Ou mesmo aconselhado Elizabeth II a usar gas liquefeito americano na sua cozinha e a comprar armas dos EUA para a Guarda Real.

Enfim, Donald Trump é capaz de tudo.

Menos de se comportar como um estadista, o que, afinal de contas, ele não é.

 

 

 

 

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